O que esperar para 2021

O título é recorrente nesta altura, mas 2021 será seguramente diferente e não é apenas pelo impacto da pandemia.

O título é recorrente nesta altura, mas 2021 será seguramente diferente e não é apenas pelo impacto da pandemia. Vejamos os acontecimentos mais recentes. É clara a diluição da autoridade do Estado com as histórias do Ministério da Administração Interna e da Defesa, com sistemáticas guerrilhas internas e com o ministro a não perceber que está a permitir uma “guerra” entre GNR e PSP com a história ridícula da escolta do transporte das vacinas. E não se pense que este é um caso isolado, pois a tutela há muito sabia que há interesses territoriais que cada uma das autoridades pretende manter. Fala-se com insistência em situações idênticas nos eventos que percorrem o território nacional, caso do ciclismo. Depois temos interesses velados de liderança do PS e foi claro o conflito entre o primeiro-ministro e o ministro das Infraestruturas. E uma crise profunda na economia, com um pessimismo acentuado. Não vale a pena disfarçar com a ‘bazuca’ europeia ou as ‘bazuquinhas’! Os dinheiros levarão tempo a ficar disponíveis e depois discutir-se-á para onde foram parar. E claro que a Covid-19 é um problema para uma economia que tem uma grande fragilidade na Segurança Social – e onde os subsídios estão a demorar meses – e fragilidade na estrutura fiscal sem margem para aumentar impostos, exceto se o Governo optar por uma solução tipo troika. As melhores empresas, que poderiam ser o guarda-chuva das PME, estão sem tesouraria, enquanto os sectores estratégicos estão “nas lonas”, o que é o mesmo que dizer que não há fundos para a expansão. Dos números enunciados pelo INE ainda não se retira que a restauração e a hotelaria estejam a aumentar o desemprego. Mas é uma questão de tempo até se perceber que ao liquidarem estas indústrias deixou de ser possível absorver grandes volumes de mão-de-obra, boa parte com reduzidas qualificações. E depois temos a interrogação sobre o nosso “petróleo”, o que é o mesmo que dizer a indústria do turismo. Analistas não acreditam num turismo de massas, cheio de ingleses e que têm sido um terço da ocupação do Algarve. O turismo irá crescer à medida que o consumidor sentir que a vacina é eficaz e pode viajar. E neste início de 2021 não nos esqueçamos do elevado endividamento público e privado, que ainda não começou a sério graças às moratórias que representam quase um quarto do stock de crédito. O que assistimos é ao adiamento de pagamentos. A solução será encontrar modelos para prolongar as moratórias. Os bancos continuam fragilizados e vão avisando os clientes que setembro é já amanhã e fazem-no com receio do aumento exponencial do crédito malparado. E finalmente, apesar do marketing político, continua a não haver dinheiro de ajudas nas empresas. Tudo chega arrancado a saca-rolhas.

Pelo lado positivo teremos a presidência lusa da União Europeia, que tem todas as condições para ser um sucesso, e também não se espera um grande conflito laboral, o que não quer dizer que não existam sectores a fazer exigências, enquanto a nível político é difícil acontecer algo antes das eleições autárquicas a realizar entre setembro e outubro. O país continua a ser governado à esquerda e se a esquerda não se sentir bem com novas eleições dificilmente poderá acontecer algo neste novo ano cheio de incertezas.

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