O que há num nome

Ele há coisas diabólicas, como os nomes próprios que os pais anseiam dar aos filhos. Fica o exemplo do rebento de Elon Musk e Claire Grimes: X Æ A-12. X da parte dele, Æ escolhido pela mãe. A conservatória não aceitou.

Estava a pensar no que houve de notável este ano e veio-me à cabeça o nome que Elon Musk e Claire Grimes escolheram para o filho: X Æ A-12. X é da parte dele, o Æ (pronunciar ‘ach’, significa Artificial Intelligence) foi escolhido pela mulher; A-12 foi o antecessor do avião espião SR-71 Blackbird, que como explica Musk era “no weapons, no defenses, just speed”. Não foi aceite na conservatória e tiveram que mudar para X AE A-XII. Porque se dá um nome destes a uma criança, para a castigar logo à nascença?

Não foram os únicos. Só para falar de quem conhecemos das artes e do espetáculo, e por quem temos admiração, a lista é longa: Frank Zappa chamou aos filhos Moon Unit, Dweezil e Diva Thin Muffin; Rick Ross preferiu Billion; Hilary Duff batizou a filha Banks Violet Bair; Natalie Portman ficou-se por Aleph, a primeira letra do alfabeto hebraico, o que parece quase normal; já Gwen Stefani and Gavin Rossdale foram originais, com Apollo Bowie Flynn, Kingston James McGregor e Zuma Nesta Rock; Shannyn Sossamon – oiçam esta – tem em casa um pequeno Audio Science.

Beyonce e Jay-Z optaram por Blue Ivy, Rumi e Sir; Geri Halliwell quis Bluebell Madonna; Busy Philipps e Marc Silverstein são os pais de Cricket e Birdie; Alicia Keys e Swizz Beatz passeiam com Egypt e Genesis; George Lucas está nos píncaros com Everest; Lil’ Mo, cantora de R&B, é mãe de Heaven Love’on e de God’Iss Love; Jermaine Jackson, irmão de Michael, é pai de Jermajesty; para  Jason Lee and Beth Riesgraf, foi Pilot Inspektor; Penn Jillette, mágico, encantou-se com Moxie Crimefighter; Nicole Kidman e Keith Urban são os pais de Sunday, talvez por ter sido o dia; e Rob Morrow chamou à filha Tu e agora quando a chamam na escola é a Tu Morrow.

Se acha que já nada o surpreende, que tal Nicolas Cage ter batizado o filho Kal-El, mais conhecido como Clark Kent ou Super-Homem? Ou Jamie Oliver ter chamado aos filhos Poppy Honey Rosie, Daisy Boo Pamela, Buddy Bear Maurice, Petal Blossom Rainbow e River Rocket Blue Dallas? Será que confundiu conservatória com registo comercial?

Gente célebre é esquisita, e isso pode dar para nomes. Mas a base de dados da Parents Magazine inclui Abcde (adivinhe a password destes pais). Às vezes a lei interfere e dá cabo da poesia: na Suécia Michel e Karolina Tomaro foram impedidos de chamar à filha Metallica e um casal tentou em vão Brfxxccxxmnpcccclllmmnprxvclmnckssqlbb1116 (pronunciar Albin); foi pena. Em França as rejeições incluem Prince William, Babar (um elefante da BD), Nutella e Mini Cooper. No México, em Sonora, foi Burger King, Circumcision, Rambo e Sponsorship. Já a Nova Zelândia permitiu Number 16 Bus Shelter e os gémeos Benson e Hedges, mas não deixou Keenan Got Lucy (porque não Lucky?) e Sex Fruit; é injusto.

Depois disto vamos achar normal um casal português chamar aos filhos Marcelo Afeto Beijinho, Nelson Selfi ou Ministro Covide dos Santos.

Recomendadas

A voz da metamorfose

Arquitetos e urbanistas são chamados a desenhar soluções criativas integradas em estratégias maiores, onde é dada voz a uma consciência social e política que tem especial atenção a contextos sociais diversificados.

Uma emergência climática

Portugal não é um país frio, comparando com o resto da Europa, mas é um país pobre, mal gerido e de prioridades trocadas.

Portugal perde com a Roménia e falha ‘final four’

As grandes transformações económicas e sociais de que o país precisa para corrigir a trajetória da divergência em relação à Europa não dependem da quantidade de dinheiros comunitários. Depende da conceção estratégica que se quer para Portugal.
Comentários