E agora para algo completamente diferente: O que pode correr bem em 2017

Combinação de políticas fiscais mais simples, maiores ganhos salariais e intensificação do investimento corporativo deverá quebrar o ciclo de crescimento lento que tem marcado os últimos cinco anos.

Os investidores em 2016 não tinham grande esperança na economia, mas muitos analistas consideram que chegou o momento de terminar o desânimo irracional.

Com a aproximação do próximo ano, investidores, economistas e políticos concentram-se no que pode vir a funcionar para a economia global, deixando para trás as preocupações que têm marcado os últimos anos.

Uma combinação de políticas fiscais mais simples, maiores ganhos salariais e intensificação do investimento corporativo deverá quebrar o ciclo de crescimento lento que tem marcado os últimos cinco anos.

“O futuro pode ser bem melhor do que aquilo que se espera”, disse Allen Sinai, diretor executivo da Decision Economics Inc. em Nova Iorque, segundo a Bloomberg.

O ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional, Kenneth Rogoff, referiu também que “a economia dos EUA vai ser forte”, acrescentando que “será dado um grande impulso à confiança das empresas”.

O mercado de trabalho concentrado pode levar o banco central dos EUA a aumentar as taxas de juro mais rapidamente se um boost orçamental liderado por Trump impulsionar o crescimento e a subida da inflação, algo que não seria totalmente desfavorável para o resto da economia global e que provavelmente levaria à reapreciação do dólar.

“A mudança para uma combinação mais equilibrada de política fiscal nos EUA é realmente muito boa para a Europa e Japão, porque enfraquece as suas moedas, melhora as suas condições financeiras e reduz a pressão sobre os bancos centrais para que tomem medidas de alívio”, disse Charles Collyns, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais em Washington.

O maior vencedor em 2017 pode ser o Japão, que tem visto o iene cair cerca de 11% contra o dólar desde que Trump ganhou as eleições presidenciais a 8 de novembro.

Combinando isso com a própria política fiscal expansionista do país, um mercado de trabalho concentrado e um novo regime monetário que protege os rendimentos das obrigações, o Japão pode enfrentar o que os economistas do Bank of America chamam de “momento histórico” para emergir das décadas de angústia.

A zona euro fecha o ano mais forte do que começou.

O desemprego na zona monetária dos 19 países tem decrescido mais rápido do que o esperado e a política fiscal é também mais favorável, o que dá espaço para surpresas nos salários e inflação em 2017, no entanto, uma série de eleições em França, nos Países Baixos e na Alemanha irá testar a resiliência, depois do Reino Unido ter votado para deixar a União Europeia.

“A grande preocupação é França”, onde a líder de extrema-direita, Marine Le Pen, “ganhou popularidade com os seus ataques contra a UE”, disse Collyns.

Dois países com potencial para o próximo ano são o Brasil e a Argentina, as maiores economias da América do Sul, onde as reformas impulsionadas este ano podem resultar num produto interno bruto mais forte no ano que vem.

O maior ponto de interrogação é a China, que confundiu as perspetivas pessimistas de um crash económico com uma expansão surpreendentemente estável em 2016.

A segunda maior economia do mundo enfrenta “uma série de riscos”, incluindo alavancagem corporativa excessiva e um mercado imobiliário concentrado, no entanto, “Pequim tem um grande arsenal para lançar a economia”, incluindo possíveis cortes na taxa de juros e uma postura fiscal mais flexível, referiu Philip Shaw, economista-chefe do Investec Bank Plc em Londres, à Bloomberg Television, apesar da possibilidade de uma guerra comercial entre a China e os EUA, se se mantiverem as ameaças de campanha de Donald Trump relativas à nação asiática.

Nada é certo para o próximo ano, mas agora “os riscos de crescimento mudaram para o lado positivo”, segundo Bruce Kasman, economista-chefe do JPMorgan Chase.

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