Estímulo à economia norte-americana: o que significa a ameaça de veto de Trump?

Em mais um movimento surpreendente, o presidente Trump colocou-se do lado dos democratas, que se bateram durante meses para pagamentos diretos mais elevados aos cidadãos norte-americanos, intenção que sempre esbarrou nas preocupações republicanas. O presidente ameaça agora uma paralisação do Governo federal que poderá colocar em causa, por exemplo, a distribuição das vacinas já aprovadas.

Erin Scott/REUTERS

A presidência de Donald Trump pode estar a terminar, mas nem por isso o presidente se tornou menos surpreendente. Numa tomada de posição inesperada, mesmo para alguns dos seus conselheiros mais próximos, o ainda líder da maior economia do mundo pediu ao Congresso que aumente consideravelmente as quantias a pagar aos americanos, isto depois de apelidar de “desgraça” o acordo bipartidário que foi apresentado no início desta semana.

Depois de meses de negociações entre republicanos e democratas, Trump surpreendeu tudo e todos ao pedir um aumento nos pagamentos a efetuar diretamente aos cidadãos americanos. O pacote acordado no Congresso prevê o pagamento de 600 dólares (491,4 euros) a nível individual e um subsídio federal de desemprego de 300 dólares (245,7 euros) semanais.

Trump, num vídeo divulgado na sua conta de Twitter na terça-feira à noite, Trump urgiu os políticos norte-americanos a aprovarem pagamentos de mais do triplo do agora apresentado, ou seja, de 2.000 dólares (1.638,1 euros). Esta atitude surpreendeu a maioria dos seus conselheiros mais próximos, que julgavam que o presidente havia abandonado esta exigência a semana passada e se preparava para assinar a legislação proposta pelo Congresso.

O Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, foi particularmente surpreendido, ele que representou a Casa Branca nas negociações. O representante da administração Trump havia apoiado a solução agora apresentada e a questão específica dos pagamentos diretos, refletindo os pedidos republicanos de um apoio mais baixo do que o sugerido pelos democratas. A Casa Branca havia garantido domingo que o presidente assinaria a legislação.

Por outro lado, os líderes do Partido Democrata apressaram-se a apoiar as intenções de Trump, sublinhando que estas coincidem com a vontade que têm vindo a expressar ao longo destes meses, que tem esbarrado nas preocupações orçamentais republicanas.

Assim, é expectável que a maioria democrata na Câmara dos Representantes tente aprovar um pacote que inclua estes valores, embora seja incerto se este passará no Senado, cujo controlo é republicano.

Ainda que este pacote de estímulos tenha sido aprovado no Congresso com maiorias que previnem um veto presidencial, Trump poderá jogar com o financiamento do Governo federal para tentar pressionar os legisladores a reverem as medidas de apoio à economia.

Dada a pandemia e a necessidade de direcionar apoios aos cidadãos americanos, bem como de lidar com o ciberataque de que foi alvo o país na semana passada, uma eventual paralisação do governo central poderia ter efeitos altamente perturbadores do quotidiano de milhões de americanos. O atual financiamento federal expira a 28 de dezembro, a próxima segunda-feira. A Câmara dos Representantes já tem marcado o seu regresso à atividade nesse dia caso Trump force uma paralisação do governo.

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