O turismo em contracorrente

A realidade não coincide com o otimismo dos profissionais de turismo, após o Conselho Mundial de Viagens e Turismo ter afirmado esta semana que o sector de viagens e turismo vai impulsionar a recuperação económica em Portugal.

À medida em que a guerra na Ucrânia continua, ainda sem fim à vista, com alguns analistas a prever que se estenderá por vários anos, vamos sentindo cada vez mais, pairando sobre as nossas cabeças, o fantasma de uma recessão.

A tempestade perfeita está a formar-se perante os nossos olhos. E a questão já não é se essa tempestade irá ou não desabar, mas sim quando sucederá. Muito recentemente, um relatório emitido pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e intitulado ‘How bad is the Ukraine war for the European recovery?’ conclui que disrupções adicionais na cadeia de abastecimento, aliadas a sanções económicas, deverão lançar a economia numa recessão.

O impacto será sentido com maior repercussão em países onde o consumo é mais sensível aos preços da energia e dos alimentos e onde uma parte relativamente grande da população está em risco de pobreza. Os países da Europa Central e do Sudeste europeu tendem a ser os mais afetados.

Ao nível das empresas, as simulações realizadas pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) sugerem que a proporção de empresas com prejuízo aumentará de 8% para 15% num ano, e que a percentagem de empresas em risco de incumprimento aumentará de 10% para 17% durante o mesmo período.

Química e farmacêutica, transportes, a alimentação e a agricultura serão os sectores mais duramente atingidos. As empresas em países mais próximos da Ucrânia e da Rússia, tais como a Hungria, a Polónia, a Letónia e a Lituânia, sentirão a pressão. Além disso, as empresas na Grécia, Croácia e Península Ibérica serão também mais afetadas do que a média da UE.

Perante este cenário, a realidade parece colidir contra o otimismo que transparece do lado dos profissionais de turismo, após o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) ter afirmado esta semana que o sector de viagens e turismo vai impulsionar a recuperação económica em Portugal, ultrapassando os níveis pré-pandémicos em 2023.

Isto numa altura em que as notícias referem – na sequência do último Relatório de Impacto Económico do WTTC – que a “contribuição total do sector para o PIB poderá atingir quase 39,5 mil milhões de euros no próximo ano, representando 17,4% do total da economia nacional”, sendo que os profissionais da atividade, que estiveram reunidos numa feira de vários dias em Tomar, anteveem que 2022 seja o melhor ano de sempre para o setor.

Dentro do turismo em geral, importa destacar que tem importância fundamental para Portugal o turismo religioso. Esta quinta-feira, debateu-se em Fátima no âmbito do workshop internacional “O Turismo que se segue”, para concluir que esse segmento irá ser naturalmente muito potenciado pela realização da Jornada Mundial da Juventude, que reunirá centenas de milhar de jovens oriundos de todo o mundo.

Esperemos, para o bem de todos nós, que o positivo prevaleça sobre o negativo, e que venhamos, como país, a sofrer o menos possível os efeitos desta tão terrível guerra, nas nossas empresas e lares.

 

Parabéns a José Avilez, cujo restaurante ‘Tasca by José Avillez’ conquistou uma estrela na primeira edição do Guia Michelin no Dubai. Tal sucede poucos meses depois da conclusão da Expo Dubai 2020, durante a qual se destacou o ‘Al Lusitano’, restaurante de Pedro Rodrigues e do chef Chakall no pavilhão português. A nossa melhor gastronomia a dar cartas nos EAU.

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