Obiang vence e Guiné Equatorial continuará rica apenas no papel, diz consultora Oxford Economics

Num comentário à previsível vitória de Obiang nas eleições presidenciais de domingo, analistas do departamento africano desta consultora londrina explicam que a razão para a disparidade entre a riqueza do país e a pobreza do seu povo está na liderança política.

A consultora Oxford Economics Africa considerou este sábado, 19 de novembro, que o atual Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, deverá vencer as eleições presidenciais de domingo, mas o país continuará a ser apenas “rico no papel”.

“A Guiné Equatorial continuará a ser um país rico no papel, com um PIB per capital de quase 8.500 dólares em 2022, o que em teoria é mais rico que o Botsuana ou a África do Sul, mas a maioria do seu povo vai continuar a ser desesperantemente pobre”, escrevem os analistas do departamento africano desta consultora londrina.

A razão para esta disparidade entre a riqueza do país e a pobreza do seu povo está na liderança política, dizem os analistas num comentário à previsível vitória de Obiang nas eleições presidenciais de domingo.

“O clã de Obiang captura a riqueza do petróleo para si próprio e mantém o poder através do terror, das detenções e da tortura de qualquer um que se assemelhe a uma ameaça”, escrevem os analistas.

O Presidente Obiang concorre no domingo a um sexto mandato presidencial, que deverá ganhar, e mantém assim o título do mais longo chefe de Estado a nível mundial, tendo destronado Robert Mugabe, do Zimbabué, em 2018.

“É certo que vai ganhar, apesar do facto de haver um concorrente genuíno, a quem foi permitido chegar a um boletim de voto pela primeira vez, mas o ambiente político vai continuar sem ser desafiado, pelo menos enquanto Obiang estiver no poder”, acrescentam os analistas.

Na análise às eleições, a Oxford Economics Africa lembra que há apenas um concorrente verdadeiro da oposição, e afirma que Buenaventura Monsuy Asumu já concorreu contra Obiang em 2002, 2009 e 2016, e serve apenas “de fantoche, cuja carreira existe apenas para criar a ilusão de uma democracia eleitoral”.

Um dos outros candidatos, Andrès Esono Ondo, é “a verdadeira oposição, e por causa disso os serviços de segurança de Obiang fizeram dele um alvo, havendo relatos de detenções de ativistas do partido, e acusações que estavam a planear ataques contra bombas de gasolina e residências de governantes”.

O Presidente da Guiné Equatorial, que concorre pelo Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), nunca obteve menos de 90% dos votos em qualquer eleição até hoje.

Nas anteriores presidenciais, em 2016, a oposição e observadores internacionais acusaram o partido no poder de fraude.

Mais uma vez Obiang enfrenta o seu aliado crónico, Buenaventura Monsuy Asumu, líder do Partido da Coligação Social Democrata (PCSD), e pela primeira vez este ano, e não obstante o partido que dirige – Convergência para a Social Democracia (CPDS) – ter sido fundado no início da década de 90, candidata-se ainda à presidência Andrés Esono Ondo, líder do único partido da oposição legalmente ativo.

Outro partido da oposição, ilegalizado em 2018, Cidadãos pela Inovação (CI) foi alvo de uma ação das forças de segurança em 29 de setembro, e o seu líder – Gabriel Nsé Obiang – foi detido juntamente com 275 apoiantes.

Desde a independência de Espanha em 1968, a Guiné Equatorial é apontado pelas organizações de direitos humanos internacionais como um dos países mais corruptos e repressivos do mundo.

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