Objetivo de apoiar as PME na aposta nos mercados externos

O ecossistema da exportação e da internacionalização das empresas portuguesas que é o Portugal Exportador está a Apostar na ligação às plataformas de comércio elétrónico.

Jorge Rocha de Matos, presidente da Fundação AIP, define o Portugal Exportador como um “dispositivo de inteligência de mercados, que tem vindo a dinamizar um ecossistema da exportação e da internacionalização das empresas portuguesas, apoiando e motivando-as, particularmente as PME [pequenas e médias empresas]”. Em declarações ao Jornal Económico (JE), Jorge Rocha de Matos aponta como destinatários do certame as PME “que estão a iniciar os seus processos de internacionalização e, também, aquelas que pretendem aprofundar e diversificar mercados”.
O Portugal Exportador realiza-se durante um dia e a 16ª edição do certame organizado pela Fundação AIP, pelo Novobanco e pela Aicep Portugal Global realizou-se ontem, no Centro de Congressos de Lisboa, contando com cerca de 800 participantes registados. Tratou-se de um regresso do evento a um modelo presencial, depois de ter sido realizado online, no ano passado, devido à pandemia de Covid-19.

O Novobanco é um dos promotores do evento, considerando que traduz uma aposta estratégica da instituição financeira. “Desde sempre, faz parte do nosso ADN. Esta estratégia é bem visível no forte apoio às empresas portuguesas, e, em particular, às PME exportadoras que incorporam, especialmente, nos seus processos a digitalização e a sustentabilidade como fatores diferenciadores para a competitividade”, disse ao JE o presidente do Novobanco, António Ramalho. “Apoiamos as empresas na seleção de mercados, na internacionalização, no esforço de pré-exportação e exportação”, acrescentou.
Neste evento, além de poderem participar no espaço de exposição, as empresas têm disponíveis workshops, encontros temáticos e, especialmente, reuniões com web buyers, compradores internacionais de . “A fim reforçarem a concretização efetiva de negócios no local, através da dinamização de contactos entre empresas portuguesas e estrangeiras, o Portugal Exportador 2021 investiu substancialmente no reforço da vertente de web buyers, com representantes de mercados como o da Alemanha, Brasil, Colômbia, México, Singapura, Reino Unido, entre outros”, explica Rocha de Matos.

Exportações em bom plano, que tem de ser ainda melhor
Para o presidente da Fundação AIP, este evento insere-se no movimento de reforço da competitividade das empresas nos mercados externos, que tem sido registado nos últimos anos. “Ao constatar que, entre janeiro e setembro deste ano, as empresas portuguesas exportaram mais 20,1% do que no período homólogo em 2020 e 4,8% face ao período homólogo em 2019, ou seja, antes da crise pandémica, isso traduz uma trajetória muito positiva e denota um grande esforço por parte das empresas, incluindo as PME, para ganharem quotas e diversificarem mercados”, diz.” Tudo isto está em linha com a evolução das exportações portuguesas nos últimos 15 anos pré-pandemia, em que o Portugal Exportador assistiu, e deu o seu modesto contributo, para o crescimento continuado do peso das exportações no PIB [produto interno bruto], de cerca de 30% do PIB, em 2006, para cerca de 44% em 2019”.

No entanto, apesar de considerar que o patamar atingido é importante, Rocha Matos considera-o, ainda insuficiente. “Não chega. A sustentabilidade e o aumento do potencial de crescimento da economia portuguesa exigem um crescimento mais elevado, para um patamar da ordem dos 50% das exportações no PIB num horizonte de quatro anos”, diz. “Para isso, temos que unir esforços e encontrar formas de cooperação estratégica entre a comunidade empresarial, o governo, por via das políticas e incentivos públicos, e o sistema de educação, ciência e tecnologia. Esta ação conjunta e inteligente em torno de objetivos estratégicos associados ao reforço da cadeia de valor da economia, é fundamental, para exportar ainda mais e melhor. Tanto mais, que é necessário estarmos atentos a alguns sinais de perturbação e de incerteza que pairam no horizonte, relacionados com dificuldades em diversas cadeias de abastecimento e no aumento dos preços de muitos fatores de produção, penalizando as empresas e provocando erosão na sua competitividade em vários sectores”, defende.

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