Objetos clássicos e transgressores, um concerto de Jenny Hval

Mapear o fantástico e o real num álbum que convoca o clássico para o seu título, mas que passa o tempo a transgredir. Ou melhor, a viajar até ao outro lado do espelho. Reflexos da introspeção da artista norueguesa Jenny Hval durante a pandemia. Agora no palco da Culturgest, em Lisboa.

© Lasse Marhaug

“Pandemia” é aquela expressão que todos queremos arquivar no vocabulário da espuma dos dias. Que o digam os artistas e todos os ofícios ligados a artes como a música, a dança, o teatro… Privados de público na frente dos seus olhos, houve quem desse um murro nessa existência ausente de Outros e se refugiasse na criação. É o caso de “Classic Objects”, da cantora e compositora norueguesa Jenny Hval. Nasceu da pandemia e da angústia de a arte ter deixado, por momentos, de existir.

Às 21h00 de quarta-feira, dia 23 de novembro, Jenny Hval vai recordar no placo da Culturgest, em Lisboa, esse momento em que ficou entregue a si própria, na busca de respostas para muitas perguntas sobre arte, a sua necessidade, poder ou valor, e até que ponto a vida subsiste sem a sua criação. Olhou para trás, para a sua vida passada, ouviu Alice Coltrane e Nusrat Fateh Ali Khan, e nesses encontros surgiu a vontade de compor canções simples sobre histórias simples, procurando uma certa essência de si própria, recordando lugares por onde passou, dos quais sente saudades, mas também de locais futuros e imaginários, às vezes tão impossíveis que só a arte pode revelar.

Multidisciplinar e transgressora, Jenny tem vindo a afirmar-se também como escritora que não abdica que todas as formas de arte para se expressar, navegando assim entre a música, a literatura, a arte visual e a performance. Estreou-se em disco em 2006, sob o nome Rockettothesky, que viria a pôr fim em 2010, quando começou a trilhar sonoridades a que se poderão considerar mais “intimistas”.

O reconhecimento internacional chegou com os álbuns “Innocence Is Kinky” (2013) e “Apocalypse, girl” (2015). No ano seguinte, 2016, lança “Blood Bitch”, que ocupou os lugares cimeiros das tabelas de melhores dicos, como a FACT (#1), The Line Of Best Fit (#1), The Independent (#4) e The WIRE (#6). Pelo meio ainda grava um álbum inspirado no filme homónimo, “The Pratice of Love”, realizado pela austríaca Valie Export.

O oitavo álbum de estúdio é também uma estreia na editora 4AD, feito de canções serenas, contemplativas, onde os “objetos clássicos” são pretexto para viagens entre os vários universos da artista. Um mapa de transgressões para ouvir e pensar.

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