Obras de Saramago inspiram “Sinais de Pausa”, em cena no Centro de Artes de Águeda

Ainda celebrando o centenário desse nome maior das Letras portuguesas e universais que é José Saramago, São Castro e António M. Cabrita interpretam “Sinais de Pausa”, um espetáculo de dança que parte da desordem revolucionária que o autor fez do uso da pontuação para chegar à força dramática do corpo.

Sinais de Pausa

Obras tão emblemáticas como “Ensaio sobre a Cegueira”, “Memorial do Convento”, “Objecto Quase”, “As Intermitências da Morte”, “A Viagem do Elefante”, e tantas outras saídas da imaginação prodigiosa de José Saramago serviram de inspiração ao dueto São Castro e António M. Cabrita para a criação do espetáculo “Sinais de Pausa”, que estará dia 18 de novembro em cena no CAA – Centro de Artes de Águeda.

Interpretado pelos próprios, não se propõe transpor as obras do Nobel português para a dança, mas sim fazer o público viajar pelas palavras e personagens, temas e perspetivas de Saramago, no seu constante indagar e questionar do papel do ser humano. O homem que defendia os Direitos, mas também os Deveres Humanos, que questionava as contradições e fragilidades do Homem, que incomodava na sua liberdade de expressão literária, e que ao longo do tempo plasmou uma crescente preocupação ética nas suas obras, não dá tréguas, não permite pausas.

Exceto aquelas a que gostava de chamar “sinais de pausa” e que cultivou enquanto desordem revolucionária do uso da pontuação. Ponto de partida para a criação de São Castro e António M. Cabrita, ambos com formação em dança. Mantêm uma colaboração artística desde 2011 e assumiram a direção artística da Companhia Paulo Ribeiro, companhia residente no Teatro Viriato, em Viseu, de janeiro de 2017 a dezembro de 2021.

Em 2015, foram distinguidos com o Prémio Autores da SPA na categoria Melhor Coreografia com a peça “Play False” e nomeados, em 2016 e 2017 com as peças “Tábua Rasa” e “Turbulência”. Em 2017, criaram “Dido e Eneias” para a Companhia Nacional de Bailado e, em 2019, foram convidados pelo Théâtre de la Mezzanine (França) para assumirem a direção coreográfica da ópera “Orphée et Eurydice”, com encenação de Denis Chabroullet.

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