Obrigações, ouro e dólar. As escolhas do Credit Suisse para investir

O banco helvético considera que chegou ao fim a falta de alternativas às ações, apontando para as obrigações e dólar no próximo ano. Já o ouro é um ativo a ter em conta para o médio prazo, destaca o CS.

Obrigações, ouro e dólar: estas são três das escolhas do Credit Suisse para 2023 e para o médio prazo em termos de ativos mais atrativos para investimento.

“A falta de alternativa às ações está a chegar ao fim. Agora há uma alternativa clara às ações: as obrigações estão de regresso, podem ser essenciais”, disse hoje Michael Strobaek, diretor de investimento do banco suíço, numa videochamada para apresentar as suas perspetivas para 2023.

O CS destaca os ativos de rendimento fixo, considerando que existe um “renascimento” nesta classe. “À medida que as yields das obrigações atingem níveis mais elevados, a inflação sobe e os bancos centrais travam as subidas das taxas de juro, os ativos de rendimento fixo parecem mais atrativos”, incluindo obrigações de países emergentes, obrigações do Governo dos EUA e obrigações empresariais em nível de investimento.

“Com a inflação provavelmente a normalizar em 2023, os ativos de rendimento fixo devem tornar-se mais atrativos para deter e oferecem novos benefícios de renovação nos portefólios”, pode-se ler.

Em relação ao dólar norte-americano, o CS no seu relatório prevê que a moeda “continue forte, particularmente contra moedas de países emergentes como o renminbi chinês. Contudo, algumas moedas de países desenvolvidos como o iene japonês estão agora subvalorizadas e podem providenciar uma reviravolta e apreciar a dado momento”.

O índice do dólar (DXY) está a “caminho de obter uma das melhores performances anuais em décadas em 2022. Pensamos que esta valorização pouco habitual, criou uma sobrevalorização substancial do DXY, que é justificada”.

A economia dos EUA tem estado “forte, resultando num mercado laboral rígido. Com a inflação subjacente mais elevada do que a meta de inflação da Reserva Federal, a Fed iniciou o apertar da política monetária mais rápido em décadas. Isto gerou um grande apoio ao dólar (…). As características de ativo-refúgio do dólar provaram ser atrativas num momento de deterioração do sentimento de risco globalmente. Ambos os fatores vão permanecer em 2023, e esperamos que o dólar continue largamente sobrevalorizado em 2023”.

Sobre o ouro, o banco helvético aponta que um apertar da política monetária “pode providenciar uma melhoria para os metais preciosos, especialmente o ouro. À medida que a ação dos bancos centrais pode causar uma grande queda no crescimento, vemos um impacto positivo para o ouro ao longo do tempo. Pode ser prematuro construir uma exposição desde já, mas vemos mérito em olhar para uma opção de crescimento no médio prazo”.

Pensamos que a base para o ouro deve melhorar à medida que a normalização da política [monetária] chega ao fim”, acrescentam.

O banco suíço prevê que o juro das obrigações dos EUA a dez anos atinjam os 4,10% no final de 2023 (3,81% a 10 de novembro).

Já as bunds alemãs deverão subir dos 2,01% (a 10 de novembro) para os 2,80%. As obrigações suíças eidgenossen deverá subir para 1,40% a partir dos 1,07%.

O desempenho do ouro será para ter em conta além de 2023, com o CS a prever uma descida do valor da onça dos 1.755 dólares para os 1.750 dólares no final do próximo ano.

Já o barril de petróleo WTI deverá recuar dos 86 dólares atingidos este mês para os 80 dólares no final de 2023.

Em termos de ações, as norte-americanas deverão subir 2% em 2023, contra os 17% de queda este ano. Na zona euro, as ações também deverão registar uma subida de 2% em 2023, contra os 11% de queda até à data. No Reino Unido, as ações registam uma subida de quase 6% este ano e deverão subir 3% em 2023.

Olhando para o mercado cambial, o euro/dólar deverá manter-se em linha no próximo ano com o nível atual (1,02).

Já as obrigações com nível de investimento deverão registar uma valorização de quase 5% em 2023, contra a queda de 16% este ano. As obrigações de países emergentes com moeda própria deverão subir 7,6% contra a queda de 21%. E as obrigações com juros elevados deverão subir 5% contra a queda de 13%.

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