OE2022: Investimento em defesa é “curto” e aquém dos compromissos internacionais

António Rebelo de Sousa, membro da Direção da Ordem dos Economistas, disse que o Orçamento apenas destina o montante equivalente a 1,17% do PIB para atividades diretamente respeitantes às Forças Armadas. “Depois de todos os apelos à importância da problemática e dos compromissos definidos a nível internacional, parece, manifestamente, curto”.

Cristina Bernardo

O Orçamento de Estado para 2022 (OE2022) “devia apostar num reforço significativo dos montantes destinados à Defesa Nacional” face ao contexto internacional marcado pela invasão russa da Ucrânia, disse esta sexta-feira António Rebelo de Sousa, membro da Direção da Ordem dos Economistas, que defendeu que o investimento atual nas Forças Armadas é “curto” e aquém dos compromissos estabelecidos. Lá fora, é necessário reforçar o projeto europeu e a sua afirmação no plano internacional.

Durante a conferência ‘O Orçamento do Estado para 2022’, organizada pela Ordem dos Economistas em parceria com o Intitute of Public Policy, que teve o JE como media partner, o economista afirmou que a consagração de 1,56% do PIB para a Defesa Nacional (face a 1,3% em 2021) é insuficiente porque porque se divide em quatro componentes, incluindo a taxa de onerosidade, as pensões de reforma das forças armadas (30% do total), o aprontamento do batalhão da GNR (120 milhões de euros) e o orçamento civil da NATO (aproximadamente 0,5% do total).

O OE2022 “apenas destina o montante equivalente a 1,17% do PIB para atividades especificamente destinadas à Defesa Nacional no sentido mais restrito, isto é, diretamente respeitantes às nossas forças armadas. O que, depois de todos os apelos à importância da problemática e dos compromissos definidos a nível internacional, parece, manifestamente, curto”, frisou.

“O momento presente aconselha a um esforço de convergência no campo democrático, bem como a urgência na aposta numa efetiva capacidade de resposta que não se queda pela vertente diplomática às ameaças belicistas de poderes que não dão provas de respeito pelo Direito Internacional”, afirmou

O economista defendeu que “basta olhar para a América, para a França, e para países da Europa Central, para perceber que não existam grandes dúvidas sobre esta questão”

“Tendo em vista a mitigação dos aspetos e impactos negativos decorrentes da crise existente na Europa de Leste, importa que a Europa se mantenha unida não apenas no propósito de combater os adversários da democracia” mas também no reforço do processo integracionista europeu” e a sua presença no plano internacional, sem esquecer a intensificação da entreajuda, “postando no reforço dos fundos de coesão e da mutualização da dívida, e apoiando as economias mais débeis, nomeadamente as que mais têm sido sacrificadas por uma guerra injusta”.

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