OE2022: Partidos de direita lamentam falta de ambição e reformismo do Executivo

Rui Rio acusou o Governo de se apoiar na inflação para “enganar as pessoas”, enquanto os liberais apontam falhas na ambição e no sistema educativo e de saúde. Chega lamenta que, na justiça, esta não seja uma proposta “que acabe de uma vez por todas com o Ricardos Salgado e Joões Rendeiro à solta neste país”.

Miguel A. Lopes/EPA via Lusa

À direita os partidos, que partiram para o segundo dia de debate na generalidade com voto contra anunciado ao Orçamento de Estado para 2022 (OE2022), criticaram de tudo um pouco, incluindo a inflação e a falta de ambição do diploma no campo económico e reformista.

Durante discurso de encerramento no debate na generalidade, o presidente do PSD, Rui Rio acusou o Governo de se apoiar na inflação para “enganar as pessoas”.

“A inflação é nesta proposta de orçamento a galinha dos ovos de ouro do Governo. É através dela que o governo se propõe a enganar as pessoas, não cumprindo as promessas feitas, nos escassos três meses após as eleições legislativas”, referiu Rui Rio.

O líder social-democrata apontou que o Governo “ao propor subir os salários, apenas 0,9% quando a inflação na zona euro já passou os 7% é evidente que os salários vão perder pelo menos 4% do poder de compra neste ano de 2022,

“Isto representa uma perda superior a meio salário mensal por cada trabalhador, como se fizesse um corte de mais de 50% do subsídio de natal dos portugueses”, destacou Rio. “Que diria o PS se outro governo tomasse esta medida? Diria seguramente, como sempre disse, que estávamos em austeridade”.

Por sua vez, a deputada da Iniciativa Liberal, Carla Castro, no discurso de encerramento de debate na generalidade acusou o Governo de ter um diploma sem ambição.

Para a IL o OE2022 é “um documento sem rasgo, sem ambição, que não sabe analisar o contexto e não tem uma visão”. De recordar que a IL anunciou ontem, no primeiro dia de debate na generalidade, que iria votar contra.

“Um orçamento é mais do que um conjunto de números, é sobre pessoas, é sobre as nossas vidas, sobre os nosso futuros e por muito que se torção os números há uma realidade lá fora, nas nossas casas, nas nossas ruas, nas nossas empresas”, sublinhou Carla Castro.

Para os liberais “importa falar de pessoas, das pessoas que estão por atender nas listas de espera, das listas para consultas para cirurgias nos diagnósticos em atraso”.

“Importa falar e cuidar da recuperação das aprendizagens. As nossas crianças e os nossos jovens merecem. É um orçamento que falha aos jovens, falha aos funcionários públicos, falha aos pensionistas, falha às empresas, falha aos profissionais liberais”, considerou a deputada da IL, acrescentado que “propaganda é uma coisa, mas a vida real é outra”.

Já o líder do Chega, André Ventura, congratula-se com as eleições que diminuíram as bancadas de esquerda e trouxeram “um conjunto novo de ideias e de atores” capazes de escrutinar Costa.

Sobre o OE2022, frisou: Este é o orçamento da austeridade. A cara de António Costa será recordada pelo episódio que vamos viver ao longo dos próximos anos”.

Em relação à constante culpabilização da direita por parte da ministra da Saúde, Marta Temido, atira: “qualquer dia chegamos ao dia em que a culpa é do general Ramalho Eanes”. Diz que choca aos portugueses a falta de capacidade de admissão de culpa por parte do Executivo.

Este devia ser o orçamento da  reforma da justiça prometido por António Costa, continua, e devia apresentar uma proposta “que acabe de uma vez por todas com o Ricardos Salgado e Joões Rendeiro à solta neste país”. “Mas reformas da justiça e o partido socialista nunca andaram a par e passo”, acrescenta.

Falando diretamente para o primeiro-ministro disse: “Tentou dar-me uma aula de direito fiscal, mas enganou-se nos números”. O aumento brutal da receita fiscal aumentou pelo IVA e IRS, defende. “É a política socialista de retirar a quem quer trabalhar, consumir e investir para dar a quem não quer fazer absolutamente nada”.

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