OE2023: BE acusa Governo de fechar acordo “à mesa dos patrões” e de fazer “orelhas moucas” às famílias

O líder parlamentar do BE acusou hoje o Governo de ter ‘fechado’ o Orçamento do Estado “à mesa dos patrões” e de fazer “orelhas moucas à aflição das famílias”, classificando a vontade de diálogo como “meramente de encenação”.

Cristina Bernardo

No encerramento do debate na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2023, o líder do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, considerou que a vontade de diálogo manifestada pelo Governo durante o atual debate orçamental foi “meramente de encenação”.

“A conversa já estava encerrada antes da entrega do Orçamento do Estado e o verdadeiro acordo foi realizado à mesa dos patrões”, acusou Pedro Filipe Soares.

O líder parlamentar do BE abordou as declarações do presidente da CIF, António Saraiva – que disse que votaria a favor deste Orçamento do Estado – para acusar o Governo de estar a ceder “à exigência dos patrões”.

“Esta jura de amor é, aliás, a melhor descrição deste orçamento: para ouvir a exigência dos patrões, o Governo faz orelhas moucas à aflição das famílias, à conta do supermercado que dispara, ao preço da habitação que condena gerações”, criticou.

Dirigindo-se aos deputados do PS, Pedro Filipe Soares questionou se, quando “o patrão dos patrões é o líder da claque do Governo, não deveria ser motivo para meter a mão na consciência e perguntar: o que está o Governo a fazer de mal para serem estes os apoiantes?”.

Continuando com as críticas à proposta orçamental do Governo, o líder parlamentar do BE defendeu que “este é um Orçamento de empobrecimento e de aumento das desigualdades: quem trabalha fica mais pobre, e os super-ricos ficam ainda mais ricos”.

“O corte real no salário e na inevitabilidade, é uma escolha. É a escolha do PS e do Governo. Quando os preços sobem mais do que os salários, a responsabilidade é do Governo, que não protege os salários da inflação e não controla os preços”, acusou.

Pedro Filipe Soares defendeu ainda que este Orçamento é “também o Orçamento dos truques”, com o executivo e o PS a mudarem “as regras para a atualização de salários”, a rasgarem “a lei para a valorização de pensões” e a anunciarem “apoios temporários e extraordinários enquanto escolhem cortar estruturalmente o que é de direito”.

“É a mesma cartilha que já ouvimos da direita, do empobrecimento inevitável à prioridade absoluta do défice: quem pensa como a direita, governa como a direita”, acusou.

Entre os exemplos que deu para destacar o que considerou ser uma aproximação das políticas do PS às dos partidos de direita, Pedro Filipe Soares acusou designadamente o executivo de procurar “engordar o negócio dos privados com o dinheiro do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“Na linha da frente, está agora a oferta aos privados dos centros de saúde. O PSD, a extrema-direita ou a Iniciativa Liberal aplaudem, eu não duvido. Mas governar como a direita não é motivo de orgulho, senhor primeiro-ministro, é abandonar a defesa do SNS, que é o pilar da democracia”, vincou.

Neste discurso, Pedro Filipe Soares disse ainda que o PS “chegou-se à frente para dar ao Governo uma verdadeira ‘licença para ponderar’”.

“Perderam a cabeça! Este orçamento tem de tudo um pouco: tem estudos, avaliações e planos, tem investigações e comissões e, descansem os mais inquietos, até tem grupos de trabalho. Não é um acaso: o país sabe que as decisões estruturais deste Orçamento do Estado já estavam tomadas”, ironizou.

Para concluir, Pedro Filipe Soares defendeu que “em momentos extraordinários são precisas políticas extraordinárias”.

No entanto, segundo o líder parlamentar do BE, “defender quem trabalha da perda de poder de compra, proteger a pensão e a reforma, garantir serviços públicos de qualidade, livres do parasitismo dos privados, atacar as desigualdades e as benesses dos super ricos e da elite económica, só são escolhas extraordinárias porque o PS está a fazer exatamente o contrário”.

“Pode ter as palmas dos patrões, pode encantar os liberais. Mas, garanto, terá o confronto de todas as pessoas que não se resignam às políticas da direita”, disse.

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