Oferta de casas para venda em Portugal caiu 16% no terceiro trimestre

Este valor representa uma descida no número de habitação disponível de 53.350 imóveis para os 44.567. Em relação ao período homólogo de 2021 a quebra foi de 30%.

O aumento das taxas de juro já começa a fazer-se sentir no segmento residencial em Portugal. De acordo com um estudo realizado no mercado nacional pela consultora imobiliária Imovendo, o número de habitação disponível para venda no país registou uma quebra de 16% no terceiro trimestre.

Este valor representa uma descida no número de casas disponíveis para venda de 53.350 imóveis para os 44.567. Em relação ao período homólogo de 2021 a quebra foi de 30%. A queda mais acentuada verificou-se nas áreas metropolitanas de Lisboa, com menos sete mil imóveis do que no terceiro trimestre de 2021 e do Porto, com menos 3.600 imóveis, (quebra de 10% face ao período homólogo de 2021).

A descer está também o preço médio dos imóveis. No lado da oferta, a queda no terceiro trimestre de 2022 foi acima dos 7% face ao trimestre anterior, passando dos 464 mil euros para os 431 mil euros. Por sua vez, nas habitações vendidas a queda foi de 5%, com o preço médio a cair dos 238 mil euros para os 226 mil euros, no penúltimo trimestre do ano.

Nélio Leão, CEO da Imovendo afirma que “esta queda revela que já há alguma dificuldade em vender imóveis de valor mais elevado, bem como o desconhecimento por parte dos proprietários do valor real da casa, que até aqui vinha sendo sobrevalorizado”.

Segundo a consultora, o valor do m2 encontra-se também em quebra, tendo registado um recuo na ordem dos 3% no terceiro trimestre de 2022, justificado com o aumento da inflação e das taxas de juro que estão a levar a uma redução da confiança dos consumidores no mercado.

A isto junta-se ainda o impacto da subida das taxas de juro na taxa de esforço de potenciais compradores, dado que o acesso ao crédito fica mais difícil.

O CEO da Imovendo considera que “o que está a acontecer do lado da oferta é algo muito incomum: o decréscimo da oferta acompanha o decréscimo no preço da oferta. E isto acontece devido ao facto de a inflação estar nos dois dígitos de haver expectativa de aumento das taxas de juro”.

O responsável acredita que “a tendência, num prazo de 6 a 12 meses, é que estes dois indicadores estejam dissonância, mais oferta menor preço, ou menos oferta preço mais alto”. Como tal nos próximos meses é previsível que se registe um aumento no inventário disponível, ou seja, crescimento da oferta e consequentemente decréscimo nos valores dos imóveis.

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