Oferta de petróleo desajustada à procura leva à diminuição do preço do “ouro negro”

OPEC pressiona Arábia Saudita para ajustar a oferta da matéria prima à procura de forma a aumentar o preço do petróleo. No entanto, o presidente dos Estados Unidos já disse publicamente que não quer um aumento dos preços.

O petróleo desvalorizou esta sexta-feira para mínimos de um ano com os dois principais preços de referência, o West Texas Intermediate (WTI) e o Brent, a valerem menos de 60 dólares, algo que não acontecia desde dezembro de 2017. Se até ao final deste mês a tendência de desvalorização do “ouro negro” se mantiver, novembro poderá registar a maior queda mensal desde 2014.

O WTI está a desvalorizar cerca de 6,5% para 51,09 dólares e o Brent a perder 5,53% para 59,14 dólares.

A queda dos preços de petróleo encontra explicação na lei da oferta e da procura, uma regra fundamental de economia. O mercado é um ponto de contacto entre a oferta (produtores) e a procura (consumidores) e estão sempre em tensão, o que tem implicações no preço de determinado bem. Assim, de acordo com a lei da oferta e da procura, o preço de determinado bem (ou serviço) aumenta quando existe pouca oferta, mas muita procura. Inversamente, o preço diminui quando existe muita oferta para pouca procura.

A produção do “ouro negro” aumentou este ano e a Agência Internacional da Energia (AIE) disse que os países que não integram o cartel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) aumentaram a produção diária para 2,3 milhões de barris de petróleo. A AIE antecipa ainda que em 2019, a procura aumente para cerca de 1,3 milhões de barris por dia, desequilibrando o mercado, o que vai pressionar o preço desta matéria prima. Os produtores norte-americanos estão a contribuir para o aumento a produção de petróleo, fazendo a oferta crescer a um ritmo superior ao da procura.

A Arábia Saudita, o maior produtor mundial de petróleo e o líder de facto da OPEC, quer reduzir a produção diária de petróleo para reajustar a oferta à procura. Por isso, está a pressionar o cartel petrolífero para reduzir a produção em 1,4 milhões de barris por dia. A próxima reunião dos membros da OPEC está marcada para o próximo dia 6 de dezembro, em Viena, e se, a Arábia Saudita impuser a sua vontade, os preços do petróleo poderão subir a partir do próximo mês.

No entanto, a travar as pretensões do reino arábico, está o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump que, via Twitter, não quer que os preços do petróleo aumentem. Os analistas internacionais acreditam que Trump poderá estar a retirar margem à decisão da Arábia Saudita, que se sente pressionada.

 

 

 

Relacionadas

Navigator, Altri e Galp penalizam Bolsa. Praças europeias recuperam

Uma projecção de que a procura vai superar a oferta está a arrastar o preço do petróleo para mínimos do ano. Já o mercado de ações na Europa está no verde, mas Lisboa não acompanha e por fim os juros da dívida soberana estão a melhorar por contágio de Itália.

Angola vai “liberalizar totalmente” a importação de derivados de petróleo

Angola vai proceder, em breve, à “liberalização total” do mercado de importação de derivados de petróleo, abrindo-o às empresas petrolíferas interessadas no negócio, indicou o governo angolano, citado pela agência noticiosa Angop.

Respostas Rápidas: O que leva os Estados Unidos a apoiarem firmemente o regime saudita, apesar do caso Khashoggi?

O relatório da CIA ao assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi veio apontar responsabilidades ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. Ainda assim os Estados Unidos mantém o país como um “parceiro firme”. Entenda porquê.
Recomendadas

Bolsa da Turquia suspensa pela primeira vez em 24 anos

O sismo que atingiu İzmit, a 90 quilómetros de Istambul, em 1999, levou ao encerramento da bolsa turca durante uma semana.

Títulos de dívida pública desvalorizaram-se 35,4 mil milhões de euros em 2022, destaca BdP

“Um dos destaques do ano de 2022 foi a evolução distinta das cotações de ações e de títulos de dívida pública. Por um lado, assistiu-se à desvalorização dos títulos de dívida pública nacional em 35.400 milhões de euros. Por outro, as ações cotadas nacionais valorizaram-se 2.500 milhões de euros”, avança o banco central.

Bolsa de Lisboa negoceia no ‘verde’ com Semapa a ganhar mais de 2%

Os principais índices europeus negoceiam todos no ‘verde’, com Espanha a crescer 0,77%. Neste momento, os CTT é a cotada que mais perde, recuando 1,2%.
Comentários