Gouveia e Melo nomeado pelo Governo chefe do Estado-Maior da Armada

A proposta terá agora de ser aceite pelo Presidente da República. António Calado foi exonerado do cargo para dar espaço à nomeação de Gouveia e Melo que foi também promovido ao posto de Almirante.

MÁRIO CRUZ/LUSA

O vice-almirante Gouveia e Melo foi hoje nomeado pelo Governo como o novo Chefe do Estado-Maior da Armada. A proposta terá agora de ser aceite por Marcelo Rebelo de Sousa.

“Foi aprovada a deliberação que propõe a Sua Excelência o Presidente da República, com parecer favorável do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, após audição do Conselho do Almirantado, a exoneração do Almirante António Maria Mendes Calado do cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada e a nomeação do Vice-almirante Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo como Chefe do Estado-Maior da Armada, bem como a correspondente promoção ao posto de Almirante”, pode-se ler no comunicado do Conselho de Ministros desta quinta-feira, 23 de dezembro.

O relativamente desconhecido vice-almirante chegou à liderança da task-force em fevereiro deste ano. Em menos de meio conquistou o respeito e admiração dos portugueses pelo trabalho realizado à frente do grupo de trabalho para a vacinação. Quando deixou o cargo no final de setembro, a sua missão estava cumprida: quase 85% da população portuguesa estava completamente vacinada contra a Covid-19, atingindo a meta delineada pelo Governo e as autoridades de saúde.

Em reconhecimento, Gouveia e Melo foi agraciado foi eleito personalidade do ano pela imprensa estrangeira em Portugal. “O sucesso da estratégia de vacinação de Portugal foi notícia em todo o mundo. Os nossos correspondentes dedicaram muitas reportagens ao tema, que suscitou enorme interesse no exterior. Por isso, a escolha do vice-almirante Gouveia e Melo não demorou a conquistar o apoio da maioria dos profissionais”, disse a jornalista Giuliana Miranda, presidente da Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP) a 14 de dezembro.

Os jornalistas da “Lusa” também já escolheram o agora almirante para personalidade nacional do ano. “Em 03 de fevereiro, o submarinista de 61 anos emergiu como líder da ‘task force’ (…). Foi então que vestiu o camuflado para “uma guerra” contra o vírus SARS-CoV-2, fixando as prioridades de salvar vidas, conferir resiliência ao Estado e libertar a economia”, escreveu a agência noticiosa sobre Gouveia e Melo.

Esta nomeação surge depois de o vice-almirante Gouveia e Melo não fechar a porta a uma candidatura a Presidente da República em 2026.

“O futuro só a Deus pertence”, disse o antigo líder da task force para a vacinação a 16 de dezembro.

“Têm-me aconselhado a dizer que dessa água não beberei, que é uma frase muito forte que não se deve dizer nunca. Tenho uma carreira militar que pretendo continuar”, disse Henrique Gouveia e Melo, de 61 anos, ao “Diário de Notícias”.

As próximas eleições presidenciais vão ter lugar em 2026. Marcelo Rebelo de Sousa cumpre atualmente o seu último mandato, pois o Presidente está limitado a dois mandatos num total de 10 anos.

“No entanto, queria dizer-vos o seguinte: tentei despolitizar o processo de vacinação enquanto coordenador da task force e as declarações que fiz nesse contexto foi precisamente parar evitar que se entrasse numa guerra política. Não sou um ator político. Sou um ator que tem uma missão e a única coisa em que tenho de estar focado é nessa missão e não estar a pensar no que vou fazer no futuro. O que posso dizer sobre o futuro? É que ele ainda não está realizado e até lá muita coisa pode acontecer”, afirmou, depois de ter sido escolhido pelo “DN” como personalidade do ano pelo seu papel na liderança do grupo de trabalho que levou a que 85% da população portuguesa fosse totalmente vacinada.

Esta nomeação já tinha sido avançada esta semana pelo  jornal “Inevitável que revelava ontem que as diligências para a tomada de posse no cargo de CEMA já estavam em curso: o conselho almirantado reúne-se hoje para se pronunciar, seguindo-se o parecer do chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, Silva Ribeiro. Depois, o Governo teria de entregar a proposta de nomeação ao Presidente da República, que terá de aceitar ou não esta nomeação.

Este terá sido um dos temas da audiência do primeiro-ministro com o Presidente da República na terça-feira, além da apresentação do novo pacote de medidas da pandemia.

Marcelo já tinha concordado ontem com a nomeação do ex-homem forte da task force da vacinação, depois de uma polémica com o Governo sobre este tema no final de setembro.

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