Oficial. Pedro Nuno Santos fica no Governo depois de ter sido cancelado por António Costa

“Relação de amizade [com o primeiro-ministro] não fica manchada com um momento infeliz”, disse hoje o ministro das Infraestruturas. “Vamos continuar esta caminhada”.

José Coelho/Lusa

Pedro Nuno Santos anunciou hoje que fica no Governo mesmo depois de ter entrado em rota de colisão com António Costa. Vários partidos da oposição já pediram a demissão do ministro depois de ter aprovado um despacho que foi cancelado por António Costa menos de 24 horas depois.

“Queria lamentar toda esta situação. Criada fruto de erros de comunicação dentro do Governo, fruto da minha responsabilidade. Queria assumir perante os meus colegas de Governo, do primeiro-ministro e do Presidente da Republica. Estas falhas tiveram consequências e causaram esta situação. Falhas pelas quais me penalizo profundamente”, começou por dizer.

“Tínhamos um objetivo definido com o primeiro-ministro” de “procura ativa de consenso”, mas que falhou, assumiu. “Falha relevante que assumo, mas não mancha o trabalho já longo com o primeiro-ministro, uma caminhada longa”, afirmou, recordando os anos da geringonça e a maioria absoluta obtida nas últimas eleições.

“Relação de amizade [com o primeiro-ministro] não fica manchada com um momento infeliz”, disse hoje o ministro das Infraestruturas. “Vamos continuar esta caminhada”.

Pedro Nuno Santos destacou que vai agora focar-se num “procedimento de procura ativa de consenso com o maior partido da oposição sobre este tema”.

A polémica começou depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter determinado hoje a revogação do despacho sobre a solução aeroportuária para a região de Lisboa e reafirmou que quer uma negociação e consenso com a oposição sobre esta matéria, que tinha sido aprovado na quarta-feira.

“O primeiro-ministro determinou ao Ministério das Infraestruturas e da Habitação a revogação do despacho ontem [quarta-feira] publicado sobre o novo aeroporto da região de Lisboa”, lê-se num comunicado hoje divulgado pelo gabinete de António Costa, citado pela “Agência Lusa”.

António Costa “reafirma que a solução tem de ser negociada e consensualizada com a oposição, em particular com o principal partido da oposição e, em circunstância alguma, sem a devida informação previa ao Presidente da República”.

“Compete ao primeiro-ministro garantir a unidade, credibilidade e colegialidade da ação governativa. O primeiro-ministro procederá, assim que seja possível, à audição do líder do PSD que iniciará funções este fim de semana para definir o procedimento adequado a uma decisão nacional, política , técnica , ambiental e economicamente sustentada”, segundo o documento do Palácio de São Bento.

Nos governos de Costa, foi secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares entre 2015 e 2019, tendo sido responsável pelas negociações com a geringonça no Parlamento que permitiram as aprovações de vários Orçamentos de Estado.

A partir de 2019, assume a pasta das Infraestruturas e da Habitação, tendo sido responsável pelo regresso da TAP à esfera do Estado na sua totalidade, pelo dossier da reestruturação da TAP, e a polémica envolvendo a Groundforce e o seu principal acionista, Alfredo Casimiro, na guerra com a TAP. O ministro também esteve envolvido nas negociações entre os camionistas e as empresas de transporte durante a greve de 2019 que parou o país durante vários dias.

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