Oito em cada dez portugueses acham que não estão a ser ouvidos pelos políticos na regulação do tabaco

Estudo “Driving Towards a Balanced Approach”, apresentado esta semana em Lausana, concluiu ainda que 93% dos portugueses esperam que os líderes adotem leis e normas baseadas em factos e em dados para acompanharem o ritmo da mudança tecnológica e da inovação.

Oito em cada dez (81%) adultos consumidores de nicotina em Portugal acham que as suas vozes têm sido excluídas do debate legislativo do tabaco e defendem uma nova abordagem à regulação para um melhor equilíbrio entre a opinião de quem consume produtos de nicotina e de quem não fuma.

A conclusão é de um relatório global da consultora norte-americana Povaddo, elaborado a pedido da Philip Morris International (PMI) e divulgado esta semana no edifício da tabaqueira em Lausana, na Suíça. Segundo o estudo, a percentagem dos portugueses que não se consideram representados é quatro pontos percentuais acima da mundial, que é de 77%.

O mesmo acontece com os inquiridos que acreditam que as decisões que afetam a sociedade (em geral) e a saúde pública (em particular) devem ser baseadas em ciência e evidências. Ou seja, em Portugal, os defensores da ciência como pilar das políticas públicas são 92%, enquanto globalmente são 85%, menos 7%.

O “Driving Towards a Balanced Approach” concluiu ainda que 93% dos portugueses esperam que os líderes adotem leis e normas baseadas em factos e em dados para acompanharem o ritmo da mudança tecnológica e da inovação. A perspetiva poderá estar associada ao facto de a lei nacional do tabaco estar sem avanços práticos há mais de uma década, uma vez que remonta a 2007 (zonas específicas para fumadores em espaços fechados), foi revista em 2015, mas a portaria que põe fim ao tabaco em espaços fechados só entrará em vigor no próximo ano.

A verdade é que mais de 70% dos portugueses que participaram no estudo da Povaddo (fumadores e não fumadores num total 2.003) concorda que o Governo deve considerar o papel dos produtos alternativos neste “objetivo” – pelo menos, da DGS – de tornar o país livre de fumo. Até porque 24% crê que basta apenas regulação e taxação de cigarros (impostos) para tal.

“Uma abordagem «tudo ou nada» pode ser contraproducente, particularmente no que diz respeito à redução do risco. Por exemplo, 80% dos adultos inquiridos, entre a população geral portuguesa, referem que as expectativas sociais relativas à abstinência total de substâncias como nicotina e álcool não são viáveis e, como tal, o Governo deve tomar medidas para reduzir a nocividade da sua utilização”, lê-se no estudo.

Na apresentação pública do estudo, Lindsey Stroud, diretora da Taxpayers Protection Alliance’s Consumer Center, criticou que as outras indústrias não estão tão “presas” pelos governos na hora de mudar e deu o exemplo dos transportes e sector automóvel, que podem comercializar veículos elétricos apenas como resposta à procura por parte dos clientes. “O tabaco parece que é a única indústria que não consegue”, lamentou. “A Organização Mundial de Saúde ainda tem a ótica de: deixa de fumar ou morres (…). Não acredito que haja alguém no mundo que não ache que fumar faz mal, mas há alternativas e os governos devem olhar a ciência”, argumentou.

O fundador e presidente da Povaddo, William Stewart, completou com um alerta: “A polarização existe. O debate tornou-se polarizado”. Logo, o especialista salienta que deve ser no nível médio das hierarquias que a mudança da sociedade é feita, no que toca a soluções para responder a desafios globais críticos.

O estudo da PMI foi realizado através de um inquérito online, que decorreu entre 5 e 23 de fevereiro e envolveu entrevistas a 44.622 adultos (com idades superiores a 21 anos) de 21 países além de Portugal: Argentina, Brasil, Bulgária, Colômbia, Costa Rica, República Checa, República Dominicana, França, Alemanha, Grécia, Itália, Japão, Malásia, México, Filipinas, Sérvia, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

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