Olhos postos no BCE com expetativas numa subida dos juros de 75 pontos

A leitura da inflação em alta em agosto colocou mais pressão sobre o BCE para adotar uma postura mais agressiva, algo refletido no discurso de Isabel Schnabel, membro da Comissão Executiva do banco, em Jackson Hole. Dados acima do esperado do PIB no segundo trimestre dão mais força a subida de 75 pontos.

Esta quinta-feira marca nova reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), com a expetativa centrada na dimensão do esperado aumento das taxas de juro. Perante nova leitura da inflação em alta em agosto, quando atingiu os 9,1%, e dados mais sólidos do que a expetativa na vertente do crescimento e emprego durante o segundo trimestre, os analistas e mercados vão apontando para uma subida de 75 pontos base (p.b.), o que seria uma decisão historicamente hawkish do banco.

A inflação continua a subir na zona euro, com a estimativa rápida de agosto a apontar para 9,1% naquele mês e a pressionar ainda mais o BCE para agir fortemente na contenção da subida de preços.

Esta foi uma realidade parcialmente admitida por Isabel Schnabel, membro do Conselho Executivo do BCE, no simpósio anual da Reserva Federal norte-americana no final de agosto. Neste encontro, a responsável europeia admitiu a demora na reação à subida de preços na moeda única, argumentando que os bancos centrais do mundo têm de tomar medidas eficazes e em breve, de forma a controlar este fenómeno.

Estas declarações tornaram ainda mais evidente a inclinação de muitos membros do banco para subidas mais expressivas, algo reconhecido pela generalidade dos principais bancos de investimento presentes na zona euro. A Goldman Sachs considera mesmo que, caso o BCE opte por 50 p.b., dará “um sinal dovish que será difícil de justificar perante uma inflação tão elevada”.

As orientações dadas pela autoridade monetária europeia nos últimos meses apontavam para uma subida de 50 p.b. em setembro, embora Christine Lagarde, presidente da instituição, tenha ressalvado repetidas vezes a necessidade de manter estas decisões dependentes dos dados que fossem sendo divulgados.

Precisamente na vertente dos dados, a segunda leitura do PIB e emprego no segundo trimestre dão mais força à hipótese de 75 p.b., refere a Pantheon Macro, ao conferir alguma esperança numa possível subida de juros com impactos limitados no crescimento. O PIB da zona euro cresceu 4,1% em termos homólogos, o que traduz um aumento de 0,8% em cadeia, ao passo que o emprego cresceu 0,4% em relação ao anterior trimestre.

Também na quinta-feira serão conhecidas as atualizações de outono das previsões do BCE para a economia da zona euro, onde se espera uma revisão em baixa do crescimento e em alta da inflação. Nas anterior projeções, datadas de junho, o banco antecipava um crescimento de 2,8% este ano, que deveria baixar para 2,1% nos dois anos seguintes, e uma inflação de 6,8%.

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