Faria de Oliveira: Bancos perderam 13,2 mil milhões em três anos

Entre 2008 e 2015, a banca portuguesa executou 26,3 mil milhões de euros de aumentos de capital, dos quais 14,1 mil milhões no setor privado, realçou o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Fernando Faria de Oliveira.

Cristina Bernardo

No debate sobre o Futuro da Banca Portuguesa, que decorreu no ISEG e onde participaram Carlos Rodrigues do BIG, Fernando Faria de Oliveira da APB, Luís Mira Amaral e João Duque os temas mais abordados foram a envolvente macroeconómica, onde se insere as baixas taxas de juro e as circunstâncias internas, nomeadamente a regulação e a forma como está a evoluir e a digitalização da banca.

Faria de Oliveira falou do desafio dos bancos que passa por melhorar a rentabilidade para ter capacidade de gerar capital de forma orgânica e de resolver os problemas do passado: a “legacy” da crise financeira. Referindo-se ao crédito malparado, “o sistema perdeu 13,2 mil milhões de euros em três anos (entre 2011 e 2014)”, disse o presidente da APB. E entre 2008 e 2015 executou 26,3 mil milhões de euros de aumentos de capital, dos quais 14,1 mil milhões no setor privado.

“A União Bancária nasceu com falhas. As diferentes condições de partida dos bancos em capacidade de rentabilidade e de gerar capital”, disse Faria de Oliveira.

O tema do custo do capital foi também abordado por João Duque. “Por cada euro investido a valor contabilístico (price/book value) o mercado atribui 0,5 euros. Isto é, perde metade do que investe de um dia para o outro. Quem é que quer pôr capital na banca?”, pergunta o economista. Desta forma os bancos vão ser todos do Estado, avisa João Duque.

João Duque falou ainda da excessiva dimensão dos activos dos bancos europeus quando comparados com os norte-americanos. “Vai ter que ser feito o downsizing da banca”, disse lembrando que os bancos europeus são hoje os “too big to fail”. João Duque sugere a titularização dos créditos (venda em mercado) para diminuir o balanço dos bancos dos europeus pois na comparação com os bancos norte-americanos os europeus são incomparavelmente maiores.

Esse movimento vem ao arrepio da tendência de fusões e aquisições que o BCE parece fomentar.

João Duque lembrou Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, a dizer que as obrigações “burden sharing” (primeiras a ser chamadas em bail-in) tenderão a ser do mesmo valor do capital do banco.

Mira Amaral recordou a falta de capital na economia portuguesa. “Não há capital na banca, nem nas empresas clientes da banca”, disse.  Para concluir o quão é necessário o capital estrangeiro.

Carlos Rodrigues lembrou que os ativos da banca cresceram mais do que o PIB nacional.

Todo o painel parece concordar que a rentabilidade do sistema bancário é marginal e o custo de capital é alto (à volta de 8% a 9%). A recapitalização é difícil e é preciso encontrar formas de atrair investidores. “É preciso criar condições para através de capitais de outras geografias”, disse Faria de Oliveira.

 

 

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