ONG, ativistas e políticos pedem libertação de Alaa Abd El-Fattah e fim das prisões políticas no Egito

Ao 157.° dia de greve de fome de Alaa Abd El-Fattah, a sociedade civil portuguesa convoca uma manifestação em sua honra às 18h30, no Largo do Intendente, em Lisboa. Ana Gomes, Marisa Matias, Joacine Katar Moreira e Pedro Neto, da Amnistia Internacional, são alguns dos signatários da carta aberta.

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Várias Organizações não Governamentais (ONG), ativistas, políticos, para além de centenas de cidadãos portugueses, pedem a libertação do ativista egípcio-britânico Alaa Abd El-Fattah  — uma das principais vozes na revolta de 2011 que derrubou o governo de três décadas do presidente Hosni Mubarak  — e o fim das prisões políticas no Egito.

Em carta aberta, a sociedade civil convoca para segunda-feira, dia que marcará o seu 157.° dia de greve de fome, uma manifestação em sua honra às 18h30, no Largo do Intendente, em Lisboa.

Ana Gomes, Marisa Matias, Joacine Katar Moreira e Pedro Neto, diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal, são alguns dos signatários da carta aberta, juntando-se à Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental (AAPSO), à CIVITAS Braga – Associação para a Defesa e Promoção dos Direitos dos Cidadãos, e ao Colectivo Humans Before Borders, entre outras ONGs.

O escritor e programador de software Alaa Abd El-Fattah foi “encarcerado ilegalmente, sujeito a maus tratos e tortura, está em greve de fome desde 2 de abril de 2022”, indica a nota. “Alaa passou a maior parte da última década atrás das grades e foi condenado, em dezembro de 2021, a cinco anos de prisão sob acusações de disseminar notícias falsas. Não é caso único: o regime autoritário de Abdul Fatah Al-Sisi detém, prende e tortura, de forma sistemática, milhares de pessoas que contestam a repressão. Estima-se que o Egito tenha, neste momento, mais de 60 mil presos políticos, e é o terceiro país do mundo que mais prende jornalistas”.

Por esta razão, são também muitos os jornalistas que assinam a carta, mas também investigadores, estudantes, e outros profissionais.

“Desde os anos 2000, Alaa documentou, juntamente com a companheira Manal Bahey El-Din Hassan, os abusos da ditadura egípcia, tornando-se uma figura central do ativismo político no país. A partir da Primavera Árabe e da Revolução da Praça Tahrir, as autoridades egípcias tentaram silenciá-lo, à sua família e dezenas de milhares de outros ativistas com prisões ilegais, em condições desumanas”, acrescenta o documento.

Em concreto, os signatários exigem a “libertação de todas as pessoas presas nas prisões da Agência de Segurança Nacional ou na sua sede;” “das que excederam o período de prisão preventiva: seis meses para aquelas acusadas de contraordenações, 18 meses para aquelas acusadas de crimes, e 24 meses para aquelas que podem enfrentar prisão perpétua ou pena de morte”; e de “das que foram sentenciadas inconstitucionalmente (de acordo com a nova Constituição), como daquelas que foram acusadas de publicar conteúdo ilegal, ou acusadas em tribunais de emergência”. Ademas, pedem a “absolvição ou liberdade condicional para todas as pessoas condenadas em casos onde não haja vítimas”.

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