ONU adota Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz

A Assembleia-Geral das Nações Unidas adotou, na quarta-feira, uma resolução apresentada pela Venezuela para estabelecer a data de 24 de abril como Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz.

A proposta, segundo um comunicado do Ministério de Comunicação e Informação da Venezuela (MCI), foi apresentada em nome dos 120 Estados que fazem parte do Movimento de Países Não Alinhados (MNOAL).

“O texto foi inesperadamente submetido a votação, a pedido da delegação norte-americana, que expressou que era desnecessário o estabelecimento de tal dia internacional, em linha com a sua política de desprezo pelo multilateralismo. No entanto, o texto foi aprovado com um total de 146 votos a favor, enquanto que apenas os Estados Unidos e Israel votaram contra”, refere o comunicado.

Para o embaixador da Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA), Samuel Moncada, a adoção da resolução, “co-patrocinada por 126 países, representa um reconhecimento do papel do MONAL na promoção, defesa e o fortalecimento do multilateralismo”.

Ao mesmo tempo, é um reconhecimento dos “esforços diplomáticos para alcançar um mundo pacífico e próspero, bem como a manutenção da paz e a segurança internacionais”, lê-se na mesma nota.

Tal celebração “constituirá um meio para promover os valores das Nações Unidas, para reafirmar a fé dos nossos povos nos propósitos e princípios consagrados na Carta Fundacional, para reafirmar a importância e pleno vigor do multilateralismo e do direito internacional, e para promover o objetivo comum de alcançar uma paz duradoura e sustentada através da diplomacia”, acrescenta.

De acordo com o MCI, o texto adotado resultou de várias semanas de negociações e promove “três pilares” da ONU – paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos – que complementam os esforços da comunidade internacional na procura de uma resolução pacífica dos conflitos.

A primeira celebração terá lugar a 24 de abril de 2019, no âmbito de uma “reunião de alto nível da Assembleia-geral das Nações Unidas, em que está prevista a participação do secretário-geral, António Guterres”.

Desde o início da sua gestão, Guterres “tem insistido que a ONU deve ser, precisamente, um instrumento para aumentar a diplomacia para a paz a fim de conseguir que a Organização seja relevante para todos os povos do mundo”, sublinhou o mesmo ministério.

Por fim, o comunicado explica que a data de 24 de abril tem um grande significado histórico para o MNOAL, pois coincide com o último dia da Conferência Afro-Asiática (também conhecida como Conferencia de Bandung), em 1955, que desenhou as bases para a fundação do Movimento (a primeira cimeira foi em 1961), e durante a qual vários países acordaram os 10 Princípios de Bandung, que continuam a reger, até hoje, as políticas de “não-alinhamento”.

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