ONU pede rapidez no diálogo para acabar com o bloqueio político na Líbia

O presidente do Parlamento, Aguila Saleh Issa, e o presidente do Alto Conselho de Estado, Khaled al-Mishri, haviam concordado em reunir-se este domingo, sob os auspícios da ONU, com o único objetivo de “propor um processo para a realização de eleições [suspensas há um ano], incluindo a conclusão da base constitucional”.

Líbia

O representante especial da ONU para a Líbia pediu mais rapidez no diálogo interno no país, depois de confirmar a suspensão de uma reunião que seria realizada este domingo entre as partes, que conta com a mediação das Nações Unidas.

“Por razões logísticas fora do nosso controlo, esta importante reunião para a retomada do diálogo político entre a Câmara dos Deputados (Parlamento com sede no leste) e o Alto Conselho de Estado (com sede no oeste) não pode ocorrer em Zintan (noroeste)”, confirmou Abdoulaye Bathily num comunicado.

O presidente do Parlamento, Aguila Saleh Issa, e o presidente do Alto Conselho de Estado, Khaled al-Mishri, haviam concordado em reunir-se este domingo, sob os auspícios da ONU, com o único objetivo de “propor um processo para a realização de eleições [suspensas há um ano], incluindo a conclusão da base constitucional”.

O diplomata senegalês lamentou o cancelamento deste encontro depois de ter priorizado na sua missão, desde que tomou posse em setembro passado, que os atores líbios se reunissem “em território da Líbia” para “criar as condições para uma realização de eleições livres e justas”.

“A ONU reitera a sua vontade de prestar os nossos bons serviços para assegurar o sucesso do encontro, que deve responder às crescentes frustrações e aspirações dos mais de 2,8 milhões de eleitores inscritos e permitir-lhes conferir legitimidade a futuros dirigentes e instituições do país”, disse Bathily.

A suspensão das eleições convocadas para 24 de dezembro de 2021, que deveriam pôr fim ao Governo de Unidade Nacional (GUN) de Abdulhamid Dbeiba, levou o país a uma nova divisão política.

Em fevereiro passado, o Parlamento, com sede no leste e controlado pelo marechal Khalifa Haftar, declarou o mandato do GUN expirado, já que não foram realizadas eleições, e nomeou um primeiro-ministro paralelo, Fathi Bashagha, o que paralisou novamente a transição política, iniciada com a queda em 2011 de Muammar Khadafi.

Embora Bashagha não tenha conseguido materializar o seu controlo desde então, enquanto o GUN continua a ser o único Executivo reconhecido internacionalmente, atores e instituições políticas líbias e internacionais aliaram-se a um dos lados, o que mais uma vez fragmentou o país.

A ONU promoveu o diálogo entre as instituições rivais, realizado nos últimos meses no Cairo e em Genebra, para avançar na marcação das eleições.

Bathily pediu “rapidez nas discussões” e “encorajou fortemente os líderes líbios a realizar reuniões dentro do país, o que enviaria um forte sinal ao público que se preocupam com os interesses” da Líbia.

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