ONU quer transferir seis milhões para os talibãs em troca de proteção

A ONU sente-se obrigada a pagar os salários dos que trabalham na segurança da organização no Afeganistão. O problema é que o ministro responsável é alvo de sanções da própria ONU e dos Estados Unidos e é procurado pelo FBI.

Líderes talibã

As Nações Unidas querem transferir seis milhões de dólares (cerca de 5,31 milhões de euros) para o Ministério do Interior do regime talibã – cujo ministro está sob a alçada de sanções da própria ONU e dos Estados Unidos e é procurado pelo FBI – para subsidiar os salários dos combatentes que guardam instalações da ONU no país.

“As Nações Unidas têm o dever como empregador de reforçar e, quando necessário, complementar a capacidade dos estados-sede” em prover às obrigações salariais, principalmente “em circunstâncias em que o pessoal das Nações Unidas trabalha em áreas de insegurança”, escreveu o porta-voz da ONU Farhan Haq em resposta às questões levantadas sobre a matéria pela Reuters.

O orçamento da Missão de Assistência às Nações Unidas para o Afeganistão (UNAMA) está “atualmente sob revisão”, mas a missão “mantém o cumprimento integral de todos os regimes de sanções das Nações Unidas”, disse Haq.

Vários especialistas disseram à agência noticiosa que os pagamentos propostos levantam questões sobre se violaram as sanções dos Estados Unidos e da própria ONU sobre elementos do regime talibã, e se as Nações Unidas têm capacidade para detetarem possíveis desvios destes fundos para outras finalidades.

Os fundos propostos reforçariam a capacidade do regime talibã de proteger cerca de 3.500 funcionários da ONU que se encontram em Cabul e espalhados por dez representações no terreno – e que têm levado a cabo um esforço de auxílio à população no quadro do colapso económico que o Afeganistão enfrenta.

As obrigações salariais decorrem de um contrato assinado entre a ONU e o regime afegão deposto em 15 de agosto pelos talibãs – o que coloca a questão de a ONU estar a financiar, eventualmente sem o saber, o novo regime. Segundo os documentos a que a Reuters teve acesso, dos seis milhões de dólares resulta um aumento salarial, uma vez que a verba acordada anteriormente era de apenas quatro milhões.

“As Nações Unidas fornecem subsídios às pessoas que realizam serviços de segurança suplementar que são fundamentais para a segurança de pessoal e bens, bem como operações e movimentos no país”, disse ainda o porta-voz da organização internacional. Tais fundos, disse, são pagos diretamente aos destinatários “e não através das autoridades“ ministeriais.

Entre os elementos alvo de sanções internacionais está o vice-líder talibã e ministro do Interior, Sirajuddin Haqqani, responsável pela rede Haqqani, uma fação envolvida em alguns dos ataques mais sangrentos ao longo de 20 anos de guerra. Os Estados Unidos, que dizem que Haqqani é próximo da Al Qaeda, oferece uma recompensa de dez milhões de dólares por informações que levem à sua prisão.

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