Operação do Twitter em risco com debandada de trabalhadores após ultimato de Musk

A saída em massa está a ter lugar menos de duas semanas depois de Elon Musk ter dito que tinha despedido 50% dos trabalhadores da empresa, num total de 3.700 pessoas.

A operação do Twitter está em risco devido ao êxodo de trabalhadores após Elon Musk ter avisado que só vai ficar na empresa quem trabalhar em modo “hardcore” (extremo).

O ultimato está a provocar a saída de mais trabalhadores do que o esperado pelo empresário, o que pode levar a problemas na operação da rede social, segundo a “Bloomberg” que consultou várias fontes com conhecimento da matéria.

Estas fontes destacam que a debandada pode colocar em risco a resolução de problemas, ou a atualização de sistemas, devido aos seus elevados níveis de conhecimento.

A falta de pessoal especializado para acautelar e resolver problemas também pode colocar em risco a revisão que será feita pelo Governo norte-americano sobre a segurança na companhia, como parte do processo de compra do Twitter pelo multimilionário, segundo fontes citadas pela agência.

A saída em massa está a ter lugar menos de duas semanas depois de Musk ter dito que tinha despedido 50% dos trabalhadores da empresa, num total de 3.700 pessoas.

A empresa já fechou os seus escritórios até segunda-feira para se tentar organizar perante tantas saídas. Uma das dúvidas é: os trabalhadores que vão sair podem continuar a ter o mesmo acesso a informação?

“Por favor, continuem a cumprir a política da empresa ao absterem-se de discutir informação confidencial com a imprensa, ou nas redes sociais”, lê-se num memorando interno citado pela agência noticiosa.

Os últimos dias têm sido caóticos: Elon Musk tem despedido trabalhadores do Twitter em direto… no Twitter quando argumentam com o CEO sobre o estado da rede social, como foi o caso da Eric Fronnhoefer, um engenheiro da empresa.

A lei da rolha no Twitter aplica-se também internamente. Trabalhadores que expressaram a sua opinião na plataforma da empresa também foram despedidos: uma fonte citada pelo “The Verge” coloca o número de despedimentos perto das duas dezenas.

Pelo meio, o empresário também declarou que o teletrabalho iria deixar de vigorar na empresa e que seria apenas autorizado em circunstâncias especiais e revisto caso a caso.

No seu ultimato, Musk deixou um aviso bem claro: ou os trabalhadores estão preparados para uma cultura de trabalho “extremamente intensa” com “muitas horas de trabalho e a um ritmo elevado” ou saem. E muitos bateram com a porta.

Antes do prazo final na quinta-feira, Elon Musk tentou convencer as pessoas a ficar. Houve reuniões com vários gestores da empresa para revelar a sua visão para o futuro da empresa.

Os canais de comunicação interna da empresa estão cheios de mensagens de trabalhadores com um emoji a fazer uma saudação, símbolo de saída da empresa. Na rede social, antigos trabalhadores estão a usar o mesmo símbolo.

Os trabalhadores que saíram estão a contactar advogados para saber o que fazer. A empresa prometia pagar três meses pela saída, mas não havia mais detalhes sobre este pacote e se poderiam manter as suas ações ou o seu seguro de saúde.

Relacionadas

Twitter. Musk faz ultimato a trabalhadores: trabalhem ‘no duro’ ou abandonem a empresa

“Isso significará trabalhar longas horas em alta intensidade. Apenas um desempenho excecional constituirá uma nota de aprovação”, disse via e-mail. Os funcionários têm até quinta-feira para clicar em “sim” no formulário incorporado à mensagem caso desejem permanecer na empresa. Caso contrário, receberão três meses de indemnização.

Investidores da Tesla frustrados com o tempo que Elon Musk anda a dedicar ao Twitter

“Distração” e “desperdício de dinheiro”. É assim que muitos investidores veem o tempo dedicado pelo empresário à sua recente aquisição.

Elon Musk garante que tem “demasiado trabalho” em mãos

Na sequência da compra do Twitter e com os problemas que afetam a Tesla, há investidores que estão preocupados com a possibilidade de o norte-americano não ter mãos a medir para todo o trabalho.
Recomendadas

Binter e Embrar fecham compra de cinco novas aeronaves por mais de 369 milhões de euros

As duas primeiras unidades estão previstas para chegar às Ilhas Canárias em novembro de 2023.

Manuel Champalimaud compra à Novares a área de injeção de plásticos para a indústria automóvel

A aquisição visa reforçar posição do Grupo Champalimaud no sector dos componentes de plástico decorativo e de interface para a indústria automóvel.

PremiumAmazon diz que “continua a fazer investimentos” de cloud em Portugal

A empresa norte-americana de computação na nuvem Amazon Web Services (AWCS)está a desenvolver um centro de dados no país, mas não se compromete com uma data de abertura.
Comentários