Orbán usou dados fornecidos na vacinação Covid pelos húngaros para impulsionar campanha eleitoral

“Usar os dados pessoais das pessoas recolhidos para que possam aceder a serviços públicos para bombardeá-los com mensagens de campanha política é uma traição de confiança e um abuso de poder”, disse Deborah Brown, da Human Rights Watch.

Hungarian Prime Minister Viktor Orban speaks as he arrives for an EU summit in Brussels, Belgium December 10, 2020. John Thys/Pool via REUTERS

O Fidesz, partido do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, usou os dados dos cidadãos das inscrições de vacinas Covid-19 para divulgar mensagens de campanha antes da eleição da Hungria em abril de 2022, de acordo com um relatório da Human Rights Watch, que considera que o ato “prejudicou a privacidade e prejudicou ainda mais um campo de jogo já desigual em favor do partido no poder”

Para além de ter usado os dados recolhidos de pessoas que se inscreveram para a vacina Covid-19, mas também os dados dos pedidos de benefícios fiscais e registos de membros de associações. Por isso, a ONG afirma que “as linhas ténues entre os recursos do governo e do partido no poder, incluindo dados, e a captura de instituições-chave pelo governo levaram à aplicação seletiva de leis que beneficiaram ainda mais o Fidesz”.

“Usar os dados pessoais das pessoas recolhidos para que possam aceder a serviços públicos para bombardeá-los com mensagens de campanha política é uma traição de confiança e um abuso de poder”, disse Deborah Brown, investigadora sénior de tecnologia da Human Rights Watch. “O governo húngaro deve parar de explorar dados pessoais para campanhas políticas e garantir condições equitativas para as eleições.”

A investigadora salientou ainda que, atualmente, as campanhas eleitorais “dependem fortemente de dados, muitas vezes recolhidos de uma forma que não é transparente. Governos, especialistas em privacidade e eleições, a indústria de tecnologia e outros devem garantir que campanhas baseadas em dados não prejudiquem a privacidade das pessoas ou seu direito de participar de uma eleição democrática.”

Para elaborar o relatório “Trapped in a Web: The Exploitation of Personal Data in Hungary’s 2022 Elections”, a Human Rights Watch entrevistou especialistas em privacidade e proteção de dados, integridade eleitoral e campanhas políticas; representantes de partidos políticos; empresas envolvidas em campanhas baseadas em dados; e pessoas cujos dados foram mal utilizados por campanhas políticas. A ONG também realizou análises técnicas de sites de partidos políticos e campanhas para entender como eles lidavam com os dados dos usuários, esclarece.

Orbán conquistou o quarto mandato consecutivo como primeiro-ministro nas eleições de abril de 2022, mas observadores internacionais disseram que as condições nas quais as eleições gerais ocorreram não foram justas. Este relatório junta-se a esse coro.

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