Ordem avisa médicos para recusarem convívios de Natal pagos por laboratórios

O alerta vem da Ordem dos Médicos: estes convívios não devem ser aceites pelos profissionais de saúde e não se enquadram no protocolo com a Apifarma e a Associação dos Médicos Portugueses da Indústria Farmacêutica.

Mariana Bazo / Reuters

Esta quarta-feira, a Ordem dos Médicos (OM) divulgou um comunicado a advertir os profissionais de saúde para que “os jantares de Natal, ou outros de semelhante teor festivo, não se enquadram” no protocolo entre a OM, a Apifarma e a Associação dos Médicos Portugueses da Indústria Farmacêutica (AMPIF).

De acordo com a entidade, estes convívios “não devem ser objeto de qualquer tipo de pedido ou oferta de patrocínio por parte da indústria farmacêutica” e, o pedido ou a aceitação do convite pode constituir “uma violação do protocolo OM-Apifarma-AMPIF” e conflituar com o Código Deontológico da Ordem dos Médicos.

No documento que veio a público, a Ordem lembra que os médicos “devem dar um exemplo à sociedade civil de transparência, independência e salvaguarda de conflitos de interesse, contribuindo assim para o engrandecimento desta nobre profissão”.

O envio desta advertência surge na sequência de dúvidas que foram colocadas à organização e “serve apenas como mera informação”, dizem na mesma nota. “Temos a plena convicção que todos os médicos sabem manter um relacionamento responsável, digno e ético com a indústria farmacêutica”, acrescentam.

O bastonário José Manuel Silva explicou ao semanário “Expresso” que o financiamento por parte das farmacêuticas só é justificado “para questões específicas de cariz técnico e científico, o que não é o caso de um jantar de Natal oferecido a um serviço de um hospital” e sublinha que “os laboratórios podem convidar médicos para refeições, desde que não seja excedido o valor definido pela legislação em vigor”.

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