Organização dos Estados Turcos cimenta relação entre os membros

Turquia, Cazaquistão, Uzbequistão e Quirguistão querem aumentar a cooperação entre o mundo que se expressa na língua turca. Mas não só: a Hungria é Estado observador. A Ucrânia também previa conseguir esse estatuto.

Recep Tayyip Erdoğan, presidente Turquia

A nona Cimeira da Organização dos Estados Turcos está a decorrer na ‘cidade eterna’ de Samarcanda, com a presença de altos responsáveis da Turquia, Cazaquistão, Uzbequistão e Quirguistão. Os Estados presentes debateram a chamada Declaração de Samarcanda, uma estratégia comum para os anos de 2022-2026. Cooperação em transportes entre os Estados-membros, o estabelecimento de corredores alfandegários simplificados e acordos de estratégias comerciais foram alguns dos temas acordados.

A organização surgiu como resultado de uma cimeira entre os chefes dos Estados turcos realizada em 1991 e acabou se tornando um conselho internacional em 2009. O conselho foi estabelecido oficialmente em outubro de 2009 pelo Acordo de Nakhchivan, assinado entre Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão e Turquia.

Em abril de 2018, foi anunciado que o Uzbequistão entraria no agregado. Desde 2018, a Hungria é considerada um Estado observador e, em 2020, a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Emine Ceppar, declarou que a Ucrânia queria ser também um Estado observador.

Através do Acordo de Nakhchivan, os Estados aderentes assumem o seu propósito de seguir os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. Objetivo principal da organização é o do aprofundamento da cooperação abrangente entre os Estados de língua turca. Os Estados-membros confirmaram também o seu compromisso com os valores da democracia, os direitos humanos, o Estado de Direito e os princípios da boa governação.

O mesmo Acordo estabelece os principais objetivos da organização são o fortalecimento da confiança mútua e da amizade entre as partes; o desenvolvimento de posições comuns sobre questões de política externa; e a coordenação de ações de combate ao terrorismo internacional, separatismo, extremismo e crimes transfronteiriços.

Dos objetivos da organização fazem ainda parte a cooperação regional e bilateral efetiva em todas as áreas de interesse comum, bem como a criação de condições favoráveis para o comércio e o investimento, visando o crescimento económico integrado e equilibrado dos seus membros. Sociedade, cultural, ciência, tecnologia, educação, saúde, desporto e turismo estão também no âmbito do Acordo.

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