Os 6 D’s da economia digital

Os 6 D’s são uma reação em cadeia de progressão tecnológica, um mapa para o rápido desenvolvimento que leva a enormes reviravoltas e oportunidades e que, num contexto de crescimento tecnológico, é exponencial. Pessoas e organizações tentam acompanhar o ritmo.

Peter Diamamdis introduziu o conceito dos 6 D’s como grelha de leitura para um tempo de rápida mudança associada à digitalização. Estas mudanças exigem das pessoas tempos, formas e transformações que possam acompanhar o ritmo cada vez menos linear e mais exponencial.

Para identificar um negócio ou tecnologia exponencial a grelha de leitura dos 6 D’s define:

1º “D” – Digitalização – Quando um produto ou processo é digitalizado torna-se elegível para ter um crescimento exponencial;

2º” D” – Deceção – O crescimento inicial é quase sempre dececionante, o que contraria a expetativa gerada em torno do produto ou processo;

3º “D” – Disrupção – A disrupção causada faz com que o mercado existente seja ameaçado pelas vantagens exponenciais que o novo produto ou processo trazem de novo;

4º “D” – Desmonetização – O crescimento já é exponencial, permitindo que o dinheiro seja retirado da equação (hoje pagamos mais com os nossos dados do que com o nosso dinheiro para o acesso a estes produtos e serviços)

5º “D” – Desmaterialização – tecnologias são digitalizadas e condensadas num único mediador, o smartphone/telemóvel. Isto permite o acesso a produtos e serviços à distância de um toque;

6º “D” – Democratização – Os produtos e serviços que antes eram caros e apenas acessíveis a uns quantos privilegiados são agora acessíveis a uma grande maioria devido à redução de custos e facilidade de acesso.

Os 6 D’s são uma reação em cadeia de progressão tecnológica, um mapa para o rápido desenvolvimento que leva a enormes reviravoltas e oportunidades e que, num contexto de crescimento tecnológico, é exponencial, novos desafios se colocam para as organizações e para as pessoas, à medida que tentamos acompanhar este novo ritmo. Veja-se o exemplo do IPhone, feito para ser o melhor até Novembro do próximo ano, ou a moda outono-inverno que durará até meados de Fevereiro, ou o grau de obsolescência dos produtos, cada vez maior e cada vez mais codificada nos produtos que compramos. Neste contexto, o pensamento linear não se coaduna com as necessidades exponenciais dos tempos da tecnologia.

Este tipo de alteração traz consigo consequências comportamentais, estimulando o consumo, apelando à nossa impulsividade, levando a sentimentos de perda como forma de lidar com a rápida transformação da realidade. É por isso da maior relevância que promoção de competências socio-emocionais e de autorregulação possam também ser incluídas nos processos e produtos tecnológicos logo desde o seu desenho. Esta é uma forma de contribuir ativamente para uma tecnologia que seja centrada no ser humano, lembrando que o impacto da tecnologia é que ela altera a nossa perceção da realidade, da nossa identidade e dos nossos relacionamentos.

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