Os cursos superiores que geram mais desemprego

Arquitetura, Serviço Social e Comunicação são as áreas com desemprego mais elevado entre os jovens recém-diplomados, segundo o IEFP.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

A fraca empregabilidade dos cursos de Arquitetura, Serviço Social e Comunicação, no geral, não é propriamente novidade. Sobressai nos dados do Infocursos relativos aos anos anteriores e repete-se, uma vez mais, este ano.

Segundo a plataforma do Ministério da Educação e Ciência, que, por esta altura do ano – quando os estudantes fazem as suas escolhas para o ensino superior – divulga as estatísticas relativas aos inscritos nos centros de emprego do IEFP, havia em 2016 um total de 28 cursos com desemprego igual ou superior a 20%, dos quais 11 pertencentes àquelas três áreas.

No topo da lista surge Arquitetura, na Escola Superior Artística do Porto, com 34 dos 108 diplomados inscritos nos centros do IEFP. Comunicação e Relações Públicas, do Politécnico da Guarda, regista no mesmo ano 30% de desempregados. Seguem-se três cursos de Serviço Social, com desemprego na casa dos 27% e uns pozinhos.

Uma análise mais fina dos dados permite, no entanto, concluir que, enquanto, por exemplo, em Arquitetura, o panorama é de fraca empregabilidade – existem, pelo menos, dez cursos com desemprego na casa dos 13% –, em Comunicação verificam-se altos e baixos.

Em Arquitetura, mesmo a melhor posicionada das grandes escolas, a Faculdade de Arquitetura de Lisboa, registava, em 2016, 38 inscritos dos seus 467 diplomados. Na área da Comunicação há uma maior assimetria, sendo possível encontrar cursos entre os que registam maior número de inscritos no IEFP. Entre estes figuram os que são feitos em estabelecimentos sobretudo do interior, como Guarda e Vila Real, e os que registam menor número de inscritos, caso de Comunicação Social e Cultural na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica, onde é praticamente inexistente (1,1%).

Todo o jovem deve ter a oportunidade de brilhar no seu talento, mas para que isso aconteça é preciso que a sociedade lhe ofereça essa oportunidade. Numa fase em que os jovens têm de escolher aquilo que vão estudar nos próximos três, quatro, cinco anos e que, mais tarde, lhes abrirá (ou não) as portas do mercado de trabalho, a indecisão povoa a cabeça de muitos. Neste contexto, os dados do Infocursos são uma boa pista, mas deverão ser analisados com alguma relatividade. Nos cursos com desemprego zero, que também os há, o que se verifica?

Segundo os dados do Infocursos, no grupo dos 33 com desemprego zero ou abaixo de 0,5%, há a registar 15 cursos de Medicina, Ciências da Saúde e Enfermagem. A área protegida da Medicina continua a garantir pleno emprego aos detentores dos sete mestrados integrados ministrados no país – Faculdade de Medicina e Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, Universidade do Minho, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Faculdade de Medicina de Lisboa, Universidade da Beira Interior e Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Na mesma linha continuam os cursos de Enfermagem. Campeões de empregabilidade são também Teologia, ministrada nos três pólos da Universidade Católica – Braga, Porto e Lisboa – e Ciências Religiosas.

E o resto? Engenharias. O bom desempenho da generalidade das Engenharias só é salpicado pelas áreas do ambiente e civil. Em ramos como Engenharia Informática, Industrial e de Materiais, não há registos nos centros de emprego, tal como também não os há para Química, Física e Matemática.

Cursos
Arquitetura31,5
Artes/Grafismo Multimédia30,0
Comunicação e R.P27,8
Serviço Social27,4
Educação Social27,4
Serviço Social27,1
Ciências da Comunicação26,5
Engenharia do Ambiente25,7
Teatro e Artes Performativas25,5
Engenharia Topográfica24,4

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.

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