Os debates e o tutor

Enquanto o PS só tem um plano A como estratégia para esta campanha, o PSD para lá da aposta vincada no centro mantém todas as fichas em aberto, apenas com a linha vermelha para o Chega.

Os debates televisivos entre líderes partidários têm marcado estes primeiros quinze dias de Janeiro. Ao contrário dos “especialistas” de redes sociais que nunca trabalharam em comunicação política mas que se acham “jeitosos” e conhecedores destas problemáticas e que diziam cobras e lagartos, os debates têm corrido bem. O enorme espectro partidário coberto por nove partidos leva a que todos os possíveis eleitores tenham pontos de contacto com os mesmos.

Foram muitos? Foram, cumprindo assim as deliberações da ERC. Foram todos esclarecedores? Não. Na minha opinião optaria por dois ou três de cariz meramente político, nomeadamente, sobre as questões pós-eleitorais e consequentes acordos para a governabilidade, deixando depois uma série de datas para debates temáticos.

Saúde e SNS, questões energéticas e ambiente, TAP, economia e modelos fiscais, educação, cultura e língua portuguesa, posicionamento com União Europeia e o resto do mundo. Dando tempo assim para que as várias tendências em jogo mostrassem cristalinamente as suas ideias.

A esta altura do campeonato, prognósticos só no fim do jogo. Há uma enorme incerteza sobre como vai ficar o tabuleiro político. Maioria absoluta, dizem os mais recentes estudos de empresas de sondagens, os portugueses não acreditam que venha a acontecer. Logo, a vitória quer do PS ou PSD envolverão sempre negociações.

Mas enquanto o PS só tem um plano A como estratégia para esta campanha, não  se sabendo claramente como irá proceder no dia 31 sem o objectivo da maioria absoluta, o PSD para lá da aposta vincada no centro mantém todas as fichas em aberto, apenas com a linha vermelha para o Chega. E nesta incerteza continuaremos, até ao dia do juízo final, na dúvida se estas eleições contribuíram para resolver o problema da ingovernabilidade ou se a acentuaram.

Seguro apenas é que os portugueses aderiram a este formato. As audiências em canal aberto têm sido fabulosas, ao nível dos principais jogos de futebol, e na semana passada o programa mais visto do ranking global foi o debate de Rui Rio com Catarina Martins com mais de 1,4 milhões de espectadores. André Ventura está sempre no top dos mais vistos, liderando até no cabo, na CNN, no debate com Rui Tavares.

Portanto, todos os partidos ganharam com isso, com a única excepção do PCP, que só aceitou ir aos generalistas perdendo assim uma visível oportunidade de passar a sua mensagem. Ora, com tanto interesse das pessoas ainda mais incerto se torna o resultado das legislativas.

É risível que Ricardo Salgado, que tem inúmeros processos inacabados, parta para a Suíça em férias de Natal e Ano Novo e só depois o Ministério Público se tenha lembrado de perguntar quem era o tutor que zela por um indiciado que dizem os seus advogados sofrer de Alzheimer. Sobre este estado demencial do banqueiro não posso falar pois não o conheço. Agora, cada vez mais a Justiça portuguesa dá sinais que não está bem.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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