Os desafios do associativismo empresarial

A CCP acompanhou naturalmente todos os movimentos sociais, económicos e políticos desde 1975. Foi-se adaptando às circunstâncias e soube, em cada momento, responder aos desafios do país.

Não posso deixar, esta semana, de falar em causa própria. A CCP encerrou as comemorações do seu 40º aniversário na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, numa sessão aberta pelo ministro do Trabalho e encerrada pelo Presidente da República.

A CCP acompanhou naturalmente todos os movimentos sociais, económicos e políticos desde 1975. Foi-se adaptando às circunstâncias de cada período e soube responder aos desafios do país, em particular a partir de 1984, ano da criação da Comissão Permanente de Concertação Social, em plena crise económica e intervenção do FMI.

Foi pois com uma visão global do contexto nacional que a sessão comemorativa se centrou nos desafios do movimento associativo empresarial e da concertação social. No estudo “Passado, presente e futuro do movimento associativo empresarial”, elaborado pela Deloitte e apresentado nesta ocasião, é defendida a implementação de uma estrutura coordenadora do movimento associativo empresarial, um conselho estratégico, onde as várias confederações da concertação social teriam assento. Esse conselho seria útil para o desenvolvimento de uma estratégia comum e garantia de um diálogo aprofundado entre as diferentes realidades dos setores económicos. Poderá proporcionar ainda uma atuação de forma mais articulada em áreas transversais, como a fiscalidade ou a legislação laboral.

O documento preconiza ainda um reforço do papel dos parceiros sociais na vida política, económica e social. Podem para eles ser transferidas mais competências na gestão de projetos, em áreas como a formação e a qualificação, no que diz respeito às empresas. Como nota histórica, recorde-se que a CCP integra uma centena de Associações, regionais e setoriais, e de serviços. As 150 mil empresas filiadas empregam um número superior a 1 200 000 trabalhadores.

O setor dos serviços, em particular, reforçou a sua visibilidade e importância estratégica na CCP em 1995, ano em que passou a designar-se Confederação do Comércio e Serviços de Portugal e a estar obrigatoriamente representado nos corpos sociais. Com a criação do Fórum dos Serviços em Abril de 2013 – um think thank que junta empresas, associações e entidades para a formulação de estudos e propostas para a dinamização destes setores –, essa dinâmica intensificou-se.

Com todas as suas virtudes e pontos a melhorar, as confederações empresariais presentes na CPCS e no CES foram, e são, muito importantes para os equilíbrios económicos e sociais e o desenvolvimento do país. Não deixa por isso de ser curioso que entidades que se mantiveram durante dezenas de anos alheadas das estruturas de cúpula do movimento associativo, tecendo inclusive críticas públicas injustas ao mesmo, apareçam agora como arautos das suas virtualidades. Só será positivo se integrarem as dinâmicas existentes. Novas entidades apenas enfraquecem o movimento associativo empresarial.

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