Os desafios e constrangimentos de Christine Ourmières-Widener no primeiro ano

Christine Ourmières-Widener cumpre este sábado um ano como presidente executiva da TAP, um período marcado pelos desafios e constrangimentos da execução do plano de reestruturação, um compromisso que assumiu no primeiro dia.

“Tenho consciência de que existem muitos desafios no plano de reestruturação. Existem dificuldades, mas também muitas oportunidades no nosso caminho, durante os próximos anos”, afirmou Ourmières-Widener, numa mensagem aos trabalhadores enviada no dia em que a Comissão Executiva que lidera iniciou funções.

A reestruturação da companhia aérea estava já em curso antes da chegada da engenheira aeronáutica natural de Avignon, França, que assumiu o compromisso de continuar a execução do plano.

Ainda antes da aprovação do plano pela Comissão Europeia, a companhia aérea iniciou, em julho do ano passado, um processo de despedimento coletivo que inicialmente deveria abranger 124 trabalhadores (35 pilotos, 28 tripulantes de cabina, 38 trabalhadores da manutenção e engenharia e 23 funcionários da sede), um número mais tarde reduzido, após serem alcançados mais acordos de adesão às medidas de rescisão voluntária.

Com a aprovação do plano, em dezembro, a presidente executiva ficou também a saber também que teria de abdicar de 18 faixas horárias no aeroporto de Lisboa, bem como dos negócios de manutenção no Brasil, os de ‘catering’ e os de ‘handling’.

No caso da M&E Brasil, que foi durante anos a causa de prejuízos da TAP SGPS e alvo de várias reestruturações e injeções de centenas de milhões de euros, a TAP decidiu encerrar a atividade, após tentativas falhadas de encontrar um comprador.

Na altura do anúncio, Christine Ourmières-Widener admitiu que se tinha tratado de uma decisão difícil, por envolver o despedimento de mais de 500 trabalhadores.

A relação entre empresa e trabalhadores tem sido, de resto, um dos principais desafios da CEO, com os sindicatos que representam os trabalhadores da TAP contra os despedimentos e cortes salariais, considerando que o plano de reestruturação levará à destruição da companhia.

No caso dos pilotos, as relações deterioraram-se de tal forma que paira agora sobre Christine Ourmières-Widener a ameaça de uma greve, o que, a concretizar-se, não acontece desde a gestão de Fernando Pinto, que deixou a TAP em janeiro de 2018.

Questionada recentemente por jornalistas sobre rumores de uma saída da TAP, a presidente executiva disse que essa decisão cabe ao executivo, manifestando vontade de continuar no cargo. “Mantenho o compromisso” com a TAP, garantiu.

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