Os homens do presidente

Administração Trump está desfasada do discurso eleitoral. Magnata está a recrutar banqueiros e para a Habitação chamou Ben Carson, que classificou como “doente patológico”.

REUTERS / Carlo Allegri

Já não falta muito para que Donald Trump suba à escadaria do Capitólio norte-americano e faça o juramento que o tornará o novo inquilino da Casa Branca. O magnata tem estado ocupado a escolher a equipa que vai levar para a administração a partir de janeiro e os primeiros nomes que vão surgindo mostram que nem todas as intenções demonstradas durante a campanha serão cumpridas. A candidatura anti-sistema deu lugar a pelo menos dois governantes com origem na grande banca de investimento norte-americana. Outra novidade é a nomeação de Ben Carson, um republicano da fação mais extremista do partido, que concorreu contra Trump nas primárias e chegou a ser insultado pelo novo presidente.

Esta semana, Trump utilizou o Twitter e o Facebook para revelar a nova escolha para a administração: “Estou empolgado por nomear o Dr. Ben Carson como o próximo secretário da Habitação e Desenvolvimento Urbano. Ben Carson tem uma mente brilhante e é um apaixonado pelo fortalecimento das comunidades e das famílias dentro dessas comunidades”. Na campanha, o tom era outro. Trump acusou o rival nas primárias republicanas de ter uma “doença patológica” tão incurável como a de um pedófilo.

Ben Carson é um antigo chefe do serviço de neurocirurgia pediátrica do hospital Johns Hopkins de Baltimore que concorreu nas primárias do Partido Republicano em maio de 2015. Apoiado pela facção do Tea Party, a mais extremista do partido, é um crente no criacionismo. Notabilizou-se também por ser um forte crítico do programa de saúde Obamacare.

Banqueiros na equipa
Na frente económica, as escolhas do novo presidente também surge desfasadas do discurso da campanha. Trump ganhou as eleições com um discurso anti-sistema, a favor das famílias de classe média e contra o poder excessivo dos grandes bancos. Mas o nome para o Tesouro não poderia ter um currículo mais ligado ao “establishment “ financeiro dos EUA. O novo secretário do Tesouro será Steven Mnuchin, o responsável pela angariação de fundos da campanha de Trump com carreira feita no Goldman Sachs. Apesar de já não estar ligado ao banco de investimento norte-americano, o gestor ganhou fortuna como administrador, posição que mnateve durante 17 anos, até 2002.

Licenciado em Yale, o gestor iniciou o seu próprio fundo, o Dune Capital Management, depois de sair do Goldman. Começou então a apostar no financiamento de filmes de Hollywood. Em parceria, através da empresa RatPac-Dune Entertainment, produziu películas como X-Men, Avatar ou Mad Max: Fury Road.

E não é apenas a pasta das Finanças que ficará entregue a um antigo banqueiro. Para o Comércio irá também outro “tubarão” do sistema financeiro, Wilbur Ross. Este investidor é conhecido como o “rei das falências” por investir em sociedades que atravessam dificuldades financeiras, em setores como o carvão, o aço e a banca, para depois reestruturar os negócios e reconquistar rentabilidade.

Mike Pence
Vice-presidente
Governador do Indiana e ex-congressista, é conhecido pela forte oposição ao aborto e pelas opiniões controversas sobre os direitos LGBT. Já se descreveu próprio como “cristão, conservador e republicano, nesta ordem”. Na economia, segue à risca a doutrina clássica republicana: aprovou a maior redução de impostos da história do Indiana.

Wilbur Ross
Secretário do Comércio
Vem do sistema financeiro. É conhecido como o “rei das falências” por investir em sociedades que atravessam dificuldades financeiras, em setores como o carvão, o aço e a banca, para depois reestruturar os negócios.

Ben Carson
Secretário da Habitação
Pertence à facção mais extremista do Partido Conservador, o Tea Party. Nas primárias das eleições presidenciais, candidatou-se, mas desistiu e apoiou Trump. Notabilizou-se por ser um forte crítico do programa de saúde Obamacare. Crente em Deus, acredita no criacionismo.

Steven Mnuchin
Secretário do Tesouro
Foi o responsável pela angariação de fundos da campanha de Trump. Apesar de já não estar ligado ao Goldman Sachs, ganhou fortuna como administrador daquele banco de investimento. Depois de sair, dedicou-se a investimentos na produção de filmes.

Stephen Bannon
Estrategista-chefe
O homem-forte de Trump é descrito por muitos como um nacionalista branco, acusado de ter posições antissemitas. Bannon foi editor executivo do site de jornalismo da direita alternativa Breitbart News, até deixar o cargo para ser chefe da campanha eleitoral de Trump.

James Mattis
Secretário da Defesa
General aposentado da Marinha, lutou no Iraque e no Afeganistão. É um crítico do acordo nuclear do governo Obama com o Irão e da sua política no Médio Oriente. Apelidado de Mad Dog (“cão raivoso”) ou de “Monge Guerreiro” – porque sempre foi casado apenas com a Marinha – é tido como um soldado do tipo intelectual, detentor de uma biblioteca de sete mil livros.

John Kelly
Administração Interna
Especialista em assuntos da América Latina, vai ter a responsabilidade da segurança interna do país, mas também o controlo de fronteiras, da imigração e do processo de naturalização.
Trabalha regularmente com a Homeland Security em missões para identificar e desmantelar as redes de contrabando de imigrantes.

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