Os milionários da tecnologia

Bill Gates, Zuckerberg, Larry Page ou Larry Ellison ocupam boa parte da lista dos mais ricos do mundo. O setor da tecnologia deu-lhes fortuna e fama. O chinês Jack Ma deverá ser o próximo empresário a integrar este ‘ranking’.

Bill Gates

O seu primeiro contacto com os computadores e as linguagens de programação surgiu em 1968, quando se encontrava a frequentar o oitavo ano, no colégio de Lakeside. Aquela instituição havia sido uma das pioneiras na compra de uma rede de computadores interligados por uma linha telefónica. É ali que Gates conhece Paul Allen, com quem começou a escrever programas informáticos para venda a empresas e administrações públicas. Em 1975, Bill Gates e o seu amigo mudaram-se para o Novo México para produzir, para a companhia MITS, programas que pudessem ser utilizados no primeiro microcomputador, o Altair.

Em 1980 a empresa deu um passo decisivo ao adquirir da Seattle Computer Products o sistema operativo 86-DOS e, nas décadas seguintes, novos sistemas foram idealizados. Em 1998 Gates promoveu Steve Ballmer, um amigo de longa data, ao posto de presidente da Microsoft e publicamente passou a ter uma participação menos ativa nos processos decisórios da empresa. Mais tarde, retirou-se das funções executivas da Microsoft para se dedicar aos seus projetos filantrópicos. Há anos que o fundador da Microsoft domina os ‘rankings’ dos mais ricos do mundo.

Destronado pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos, segundo a Bloomberg, o setor da tecnologia continua a manter-se na liderança e ocupa boa parte da área de negócios dos grandes milionários. Ainda assim, Ortega, da Zara, ou Carlos Slim, magnata das telecomunicações, continuam a resistir. Só que nomes como Zuckerberg podem beliscar este poder. De fato, o empreendedor transformou o Facebook na maior rede social do mundo, uma ideia inicialmente criada para servir apenas a Universidade Harvard.

Um fenómeno global

A rede nasceu a 4 de fevereiro de 2004 e, poucos anos depois, transforma-se num gigante da Internet. Transformou-se num sucesso instantâneo. No ano seguinte, Zuckerberg decide comprar o domínio facebook.com por 200 mil dólares, já com a certeza de que o investimento teria retorno. E o Facebook transformou-se num fenómeno mundial. De acordo com a Deloitte, esta rede social estimula a economia global, ao fornecer ferramentas para os empresários potenciarem o seu negócio e uma plataforma para programadores de aplicações criarem e desenvolverem novas formas para que as pessoas em qualquer parte do mundo se envolvam e interajam. Zuckerberg e os seus colegas pensavam que aquele não passaria de um mero projecto universitário, mas em poucos meses a rede social começou a ter um grande sucesso. E hoje domina o mundo.

Um é russo e o outro é americano. Conheceram-se na Universidade e criaram o Google. Sergey Brin nasceu em Moscovo, na Rússia, e aos cinco foi viver para os Estados Unidos. O pai, um matemático judeu, foi convidado para dar aulas na Universidade de Maryland e a mãe, cientista, arranjou emprego na NASA. No dia em que comemorou o nono aniversário, Sergey recebeu de presente um computador Commodore 64. A partir desse momento, nunca mais se separou dos computadores. Licenciou-se em Ciências Computacionais e frequentou o doutoramento em Stanford. Adora ir ao ginásio e até já teve aulas de trapézio. Larry Page nasceu em Michigan, nos Estados Unidos, e é filho de professores de informática. Recebeu dos pais o primeiro computador, aos seis anos, e não precisou de muito tempo para dominar a máquina. A linguagem de programação e as peças que compõem um computador não tinham segredos para ele. Sergey e Larry conheceram-se na Universidade de Stanford e, fartos da dificuldade em fazer pesquisas, decidiram criar um motor de busca. Juntaram dinheiro para o negócio e pediram ajuda a um investidor. Hoje em dia, pertencem à lista dos empresários mais ricos do mundo.

O espírito empreendedor chinês

O bilionário Jack Ma (pertence à lista dos 20 mais ricos do mundo, com uma fortuna estimada em 45 mil milhões de dólares), fundador da tecnológica chinesa Alibaba, foi a personalidade do ano 2013 segundo o Financial Times. “Padrinho do espírito empreendedor chinês” e um “verdadeiro inovador”, Ma “personifica a Internet chinesa, com todo o potencial e contradições”.

Jack Ma tem muitas razões para sorrir. O seu próprio trajeto, desde 1995, colou-o definitivamente à sorte da Internet no mais populoso país do mundo. Fruto de circunstâncias estranhas, ele foi pioneiro da ‘web’ na China. Um dia, numa visita à Grande Muralha, conheceu Jerry Yang, um jovem da Universidade de Stanford oriundo de Taiwan e com ligações à Yahoo! Desde aí ficaram amigos e descobriram que tinham “culturas de empresa muito similares, com valores semelhantes”, disse Jack Ma.

Sete anos depois tornaram-se sócios numa das parcerias estratégicas de maior alcance na Ásia. Jack conseguiu reunir mais de 100 milhões de dólares entre 1999 e 2004 provenientes de investidores internacionais institucionais, como o Softbank japonês, a Fidelity Investments e a Venture TDF China, o que lhe permitiu apostar “na convergência na cadeia de valor do comércio eletrónico, o que hoje já é copiado por outros em todo o mundo”.

Este empresário acredita muito na perseverança. Nascido em Hangzhou, na China, aperfeiçoou o seu inglês conversando com os turistas num hotel da cidade. Candidatou-se duas vezes, sem sucesso, à universidade, e por fim entrou numa faculdade local de formação de professores. Depois de se candidatar inutilmente a vários empregos, incluindo secretário do gerente de uma loja da Kentucky Fried Chicken, fez um empréstimo de dois mil dólares para fundar um site chamado China Pages. Mais tarde angariou 60 mil dólares de 18 amigos e, trabalhando no seu apartamento, fundou a firma que viria a ser a Alibaba. Hoje os discursos do empresário atraem multidões na reunião anual da empresa. Jack confessa que os seus “segredos” são simples de descobrir: apostou no facto de que a China será o maior mercado de Internet do mundo num horizonte próximo, e focalizou-se em servir as PME do maior mercado emergente e de lhes abrir “uma ponte para o mundo”. Faz uma aposta complementar na diáspora de língua chinesa, para atuar no que chama de “mercado chinês estendido”. “Somos como crocodilos do Yangtsé”, gosta de ironizar, para se diferenciar das multinacionais norte-americanas do próprio Silicon Valley, que ele considera “tubarões de oceano”.

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