Os nazis e o Estado Novo: A relação esquecida

A relação entre os regimes nazi e do Estado Novo é um dos temas menos aprofundados pela historiografia nacional – como se sobre ele houvesse um véu de pudor que poucos estão dispostos a levantar.

É por isso que a obra “Portugal e os Nazis”, da historiadora Cláudia Ninhos, surge como um livro importante, passível de lançar outros interessados no caminho da investigação.

Ao contrário do que se poderia esperar, a relação entre os dois regimes não se confina a meia dúzia de fotografias onde surgem uns portugueses em cerimónias públicas com o braço no ar, fazendo a saudação típica dos nazis. Foi bem mais longe que isso: “foram anos de uma intensa e visível propaganda, que passou pela visita de centenas de elementos da Juventude Hitleriana a Portugal, proporcionando ao governo português a organização de excursões ao Reich, conferências, exposições, receções oficiais, intercâmbios juvenis e académicos, que visaram promover a imagem do regime nazi junto das elites portuguesas e, por intermédio delas, influenciar a própria orientação diplomática do governo de Salazar, tentando afastá-lo da Grã-Bretanha”, refere a editora, A Esfera dos Livros.

A partir de documentação alemã inédita, Cláudia Ninhos “revela-nos o papel de instituições nazis portuguesas no relacionamento entre os dois regimes e as tensões que se verificaram entre elas, em especial entre a Legação Alemã e o Grupo Local do Partido Nazi em Lisboa” – outro tema de grande interesse porque aponta para as tensões que afinal existiam no interior do regime alemão. “Este livro fala-nos dos diplomatas e dos jornalistas, dos académicos e dos ministros, das instituições públicas e das organizações do Estado Novo que se deixaram deslumbrar pela imagem poderosa do III Reich.

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