Os novos desafios da Autoeuropa

O reconhecimento por parte da Volkswagen (VW) do importante papel que a Autoeuropa tem no grupo alemão constitui um sinal importante na estratégia da futura revitalização daquela que continua a ser a “âncora estratégica” do Investimento Direto Estrangeiro em Portugal. Vivem-se tempos de profunda crise internacional e no contexto da intensa competição entre regiões e […]


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O reconhecimento por parte da Volkswagen (VW) do importante papel que a Autoeuropa tem no grupo alemão constitui um sinal importante na estratégia da futura revitalização daquela que continua a ser a “âncora estratégica” do Investimento Direto Estrangeiro em Portugal.

Vivem-se tempos de profunda crise internacional e no contexto da intensa competição entre regiões e mercados a urgência de um sentido estratégico mais do que se impõe. A manutenção e captação de Investimento Estrangeiro é fundamental para o sucesso económico do país. Por isso os novos desafios da Autoeuropa são muito os desafios da economia portuguesa num futuro de competitividade global.

A Autoeuropa não é só a plataforma de desenvolvimento económico da Península de Setúbal. Continua a ser o motor de um cluster estratégico ligado ao sector automóvel que nos últimos anos permitiu o desenvolvimento, na base da inovação e criatividade, de competências, talentos e novas oportunidades.

A dinamização da criação de valor e reforço da inovação tecnológica deve muito ao efeito Autoeuropa. Por isso, em tempos de crise e de aposta num novo paradigma para o futuro, a Autoeuropa deve constituir o verdadeiro centro de uma convergência estratégica entre o Estado, a empresa, os seus trabalhadores e todos os que se relacionam com a sua dinâmica. A Autoeuropa deve continuar a ser a referência da aposta num novo modelo de desenvolvimento estratégico para o país.

O Investimento Direto Estrangeiro desempenha um papel de alavancagem da mudança único. Portugal precisa de forma clara de conseguir entrar com sucesso no roteiro do “IDE de Inovação” associado à captação de empresas e centros de I&D identificados com os sectores mais dinâmicos da economia – tecnologias de informação e comunicação, biotecnologia, automóvel e aeronáutica, entre outros.

Trata-se duma abordagem distinta, protagonizada por “redes ativas” de atuação nos mercados globais envolvendo os protagonistas sectoriais (empresas líderes, universidades, centros I&D), cabendo às agências públicas um papel importante de contextualização das condições de sucesso de abordagem dos clientes. O exemplo Autoeuropa tem por isso que ser potenciado.

Por isso importa que os atores envolvidos neste processo de construção de valor percebam o alcance destas apostas estratégicas. Não se pode querer mobilizar a região e o país para um novo paradigma de desenvolvimento, centrado numa maior equidade social e coesão territorial, sem partilhar soluções estratégicas de compromisso colaborativo. O futuro da Autoeuropa passa por isso. Por perceber que a aposta em projetos estratégicos como os clusters de inovação e os polos de competitividades são caminhos que não se podem adiar mais. A guerra global pelo valor e pelos talentos está aí e quem não estiver na linha da frente não terá possibilidades de sobrevivência.

Precisamos de perceber este exemplo Autoeuropa, com todas as consequências do ponto de vista de impacto na sua matriz económica e social. Se não houver um verdadeiro sentido de responsabilidade coletiva estratégica à volta do novo paradigma de desenvolvimento para o futuro, tudo será posto em causa. Será acima de tudo o princípio de um fim que nunca pensámos poder vir a ter e que não se coaduna com a nossa vontade de mudança. É por isso efetivamente grande o desafio desta empresa do nosso contentamento coletivo.

Por Francisco Jaime Quesado, 
Presidente da ESPAP – Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública

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