Os números e o FC Porto-Benfica…de que toda a gente fala

Joga-se este Domingo, nos relvados, o clássico mais esperado da primeira metade do campeonato nacional e que decidirá, certamente, o simbólico título de campeão de Inverno. De um lado, um Benfica com uma liderança provisória e de margem ténue, ainda a construir-se e a adaptar-se de algumas ausências fundamentais que construiram os títulos do ano […]

Joga-se este Domingo, nos relvados, o clássico mais esperado da primeira metade do campeonato nacional e que decidirá, certamente, o simbólico título de campeão de Inverno.

De um lado, um Benfica com uma liderança provisória e de margem ténue, ainda a construir-se e a adaptar-se de algumas ausências fundamentais que construiram os títulos do ano passado, como Markovic, Garay ou Oblak. Do outro, um FC Porto ressentido com resultados pouco significativos nas duas últimas temporadas, consideravelmente irregular e em busca da liderança – que o pode deixar a seis pontos do líder – mas com o melhor ataque da Primeira Liga até ao presente, em grande medida fruto dessa combinação extremamente eficaz de Brahimi e Jackson Martinez.

A disputa deste Domingo não se esgota, no entanto, no relvado do Estádio do Dragão nem nos pés de Talisca ou de Adrián. Na antecâmara, mas talvez mais importante ainda, a luta dos números gigantescos começou já há vários meses e é capaz de assustar indubitavelmente o cidadão médio. Vejamos:

O Benfica, consciente de que resistir ao mercado nos tempos que correm é uma impossibilidade prática, apostou forte no mercado das vendas e apresentou um encaixe financeiro acima dos 70 milhões de euros, se contabilizarmos também as cedências de André Gomes, Rodrigo e Otamendi. A extraordinária performance financeira pode, no entanto, ter custado alguns resultados operacionais no âmbito desportivo e o afastamento das competições europeias ai está para o demonstrar.

Por sua vez, o FC Porto, consciente da necessidade de reformulação, apostou todas as cartas num investimento muito acima da média dos clubes portugueses, abrangendo a contratação de novo treinador (Lopetegui) e de um conjunto muito significativo de novos jogadores (como Indi ou Brahimi), apresentando valores de investimento na ordem dos 33 milhões de euros. Em rigor, alguns negócios apresentam-se como verdadeiros “case studies” de gestão financeira no âmbito desportivo, como o desembolso de 11 milhões de euros por 60% do passe de Adrián.
Em muitos sentidos, o clássico de Domingo é também a disputa da política de investimento contra a política de encaixe financeiro. A disputa da gestão de risco encetada este ano por Pinto da Costa na tentativa de recuperação do título nacional contra a gestão de prudência levada a cabo por Luis Filipe Vieira antevendo as dificuldades de financiamento bancário dos próximos anos.

A margem ténue de liderança dos encarnados e o reforço da prestação do plantel de Lopetegui nos últimos dois meses está, no entanto, a fazer de novo disparar os números: só em salários, o FC Porto já pagou 15,32 milhões de euros nos primeiros três meses, um aumento de mais de 40% em relação à época passada. É a loucura financeira a acontecer…

O clássico de que todos falam é, assim, o mata-mata do futebol português. Provavelmente decidirá o líder, mas também destronará um destes modelos de futebol e de gestão desportiva. É a prova de fogo de Luís Filipe Vieira e Jorge Nuno Pinto da Costa e, depois do clássico, nada ficará como dantes.

André Ventura

Jurista/Professor Universitário

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