“Os portugueses escolhem com mais cuidado devido à inflação mas não há menos despesa na Uber Eats”, diz diretor

Diogo Aires Conceição diz ao Jornal Económico que a Uber Eats, que celebra esta quarta-feira cinco anos em Portugal, quer tornar a aplicação num serviço de canal de vendas para os parceiros e um palco de anúncios das empresas e restaurantes com os quais tem acordos.

A Uber Eats está a comemorar cinco anos de operação em Portugal esta quarta-feira, num evento que decorre no Hub Criativo do Beato, em Lisboa. Na véspera da celebração, o diretor geral da Uber Eats em Portugal, Diogo Aires Conceição, falou com o Jornal Económico sobre os últimos lançamentos da empresa, o impacto da crise económica no negócio das entregas de refeições e a transformação numa aplicação de delivery de “qualquer coisa” e publicidade para empresas. Hoje, a app tem mais de 12 mil restaurantes e comerciantes e cobre cerca de 80% da população portuguesa.

Já há adesão aos pagamentos por MB Way, lançados na semana passada?

Já tem uma expressão bastante grande no nosso negócio. Em três ou quatro dias superou as nossas expectativas sem dúvidas. Obviamente que vamos ver isso a crescer nas próximas semanas e nos próximos meses.

Há efeitos da subida da inflação na utilização desta ‘app’?

Este ano houve um aumento de preços na restauração. Foi um dos principais sectores a serem impactados pela inflação. Houve um efeito duplo: a abertura da economia – um retorno à “normalidade” – e a inflação. Os consumidores estão mais seletivos onde querem gastar o seu dinheiro, mas provavelmente essa seleção será de onde, em que restaurante, querem encomendar, que itens pedem (vemos um crescimento nos itens em promoções). Há uma escolha mais cuidada sem decréscimo de despesa na plataforma. No próximo ano, se calhar com uma crise económica mais acentuada, esperemos que este comportamento se mantenha.

Quais são as perspetivas?

A nível global, nos últimos focámo-nos em duas coisas principais: o crescimento do negócio (no último trimestre, o delivery gerou 13,7 mil milhões de dólares em reservas brutas, um aumento de 13% em relação ao terceiro trimestre de 2021) e a sua sustentabilidade. No final do ano passado, tanto na mobilidade como nas entregas, chegámos a um EBITDA ajustado positivo e, no segundo trimestre, a um cash flow positivo de 382 milhões de dólares. É um marco histórico nas plataformas. Já somos autossustentáveis e vamos utilizar esse fluxo de caixa para continuar a inovar.

Como?

Queremos transformar a Uber Eats num hábito diário. Ou seja, que o negócio de novos verticais se torne tão grande ou maior que o de entrega de refeições. Queremos que as pessoas entrem na nossa aplicação ao longo de todo o seu dia para vários produtos (mobílias, farmácia…), ter um serviço de websites para os parceiros terem o seu próprio canal de vendas para o consumidor final e ser uma ferramenta de publicidade.

E que marcos atingiram cá, ao fim de cinco anos de Uber Eats em Portugal?

Acho que mais positivo não poderia ser. Começámos no final de 2017, com um negócio no centro de Lisboa apenas com 90 restaurantes parceiros e uma cobertura geográfica pequena. Fizemos essa expansão e chegámos a mais de 100 cidades em Portugal, no início de 2022 a 8.800 parceiros e agora são mais de 12 mil restaurantes e comerciantes parceiros da nossa plataforma. Estamos a cobrir cerca de 80% da população portuguesa.

Vão cobrir os 20% em falta? Compensa-vos em termos de densidade populacional?

É uma análise que fazemos recorrentemente. O nosso objetivo não é chegar a 100% da população portuguesa, porque existem áreas onde há uma dispersão geográfica muito grande, mas acredito que ainda há oportunidades para chegarmos a mais pessoas. Nunca fechámos ou nos retirámos de cidades. O que aconteceu foi, durante a pandemia, quando passámos por algumas dificuldades com os limites às comissões que podíamos cobrar, tivemos de nos adaptar à realidade desse momento. Após o término dessas restrições, voltámos às cidades onde estávamos.

Há cerca de duas semanas houve um novo caso de violência a um dos vossos estafetas. Estes incidentes são comuns em Portugal?

São notícias que nos preocupam muito e merecem a nossa maior atenção. A segurança dos nossos parceiros de entrega, parceiros de comércio e utilizadores é uma das nossas maiores prioridades. Temos, desde há vários anos, um seguro de acidentes de trabalho para todos os condutores e estafetas, através de uma parceria global com a Allianz. Cobre todos os parceiros de entrega sem custos. Além disso, temos um botão de emergência que pode ser acionado e uma equipa especializada de dez profissionais de forças de segurança que colaboram com as autoridades nestes acidentes.

O que preparam para a Black Friday?

Estamos a fazer promoções de 50% com muitos dos nossos parceiros. Para nós, é uma época muito importante, porque é o pico do nosso negócio anual. Há vários fatores que contribuem para este pico do ano: a Black Friday coincide com o nosso aniversário, é a altura em que o inverno começa a chegar, o que é um catalisador para o nosso negócio, e entramos num período de Natal e de férias em que o comércio online aumenta.

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