Paciência e prazer, os segredos para ganhar com ativos de luxo

Do Aston Martin ao relógio de Paul Newman, objetos de coleção podem rivalizar com ativos tradicionais de investimento. A chave é o tempo.

Carros clássicos, relógios de topo, livros raros, vinhos premiados ou obras de arte. Todos são objetos de coleção, com amantes por todo o mundo. O que têm também em comum é serem investimentos alternativos, em que os lucros podem suplantar os retornos conseguidos com ativos mais tradicionais.

Os bens de luxo no mercado global valorizaram 5% nos 12 meses que terminaram em junho de 2017, segundo os últimos dados do Índice de Investimento de Luxo Knight Frank. O número pode não impressionar, mas a longo prazo a história muda de figura, porque uma das características destes ativos é que requerem paciência.

Para quem esperou cinco anos, o valor do índice, que compila dez classes de ativos, subiu 42%. A 10 anos, os ganhos do conjunto dispararam 145%. “Tem sido um ano interessante para os investimentos de luxo, mas é difícil generalizar. Enquanto os objetos de maior desejo tiveram desempenhos fortes em leilões, os compradores mantêm-se prudentes ao comprar novos ativos”, explicou Andrew Shirley, responsável pelo relatório.

Entre os diferentes tipos de investimentos são os carros clássicos que mais aceleraram. Tanto a cinco, como a 10 anos, valorizaram 117% e 362%, respetivamente. “Em termos de carros clássicos vimos recentemente os mais caros Aston Martin (22,5 milhões de dólares) e Mclaren F1 (15,6 milhões de dólares) a serem leiloados, mas outras vendas em leilão com carros menos estelares desapontaram”, acrescentou Shirley.

A curto prazo, são os vinhos que se apresentam como melhor investimento. O valor subiu 25% em 12 meses, no primeiro lugar do índice, com o crescimento na aposta nos mercados de Bordéus, Borgonha e norte de Itália. Em cinco anos,l o ganho foi de 61% e numa década de 231%.

O potencial de valorização de bens de luxo é notável, especialmente em comparação com outros ativos de longo prazo, como obrigações, que apresentam retornos menores. No entanto, os especialistas na máteria concordam que não é um investimento para qualquer pessoa. Em qualquer um deles, existe a opção de aquisição via fundos de investimento para diversificar a carteira. Mas ao contrário de ativos tradicionais, como ações, são objetos de coleção e a maioria dos compradores são simultaneamente investidores e colecionadores. É preciso gostar (muito), conservar bem e ter cuidado onde comprar, explicam os especialistas em cinco tipos de investimentos alternativos.

Carros

“Portugal é um país que conta com uma tradição vincada no que se refere aos carros clássicos e isto reflete-se bastante na atividade desta categoria”, disse o diretor-geral da leiloeira Catawiki em Portugal, Alejandro Sánchez. “Acredito que este aumento de interesse se deva sobretudo a dois fatores: o primeiro está diretamente relacionado com a situação económico-financeira do país, que possibilita uma maior confiança por parte dos investidores neste setor”.

O investimento em carros clássicos está a ser também impulsionado pelo facto de a “reavaliação de ativos em carros clássicos ser bastante elevada, por vezes mesmo o dobro dos investimentos em mercado de valores ou metais preciosos e isso torna-se num atrativo para as pessoas”, explicou.

Apesar de a situação positiva do país, Portugal é, tal como outros países fortemente afetados pela crise financeira, tendencialmente um mercado vendedor e não tanto investidor. “Os investidores procuram sobretudo conseguir que a longo prazo o investimento realizado se traduza em lucros. E na atividade dos carros clássicos são vários os estudos que comprovam que este é um investimento lucrativo”, referiu o diretor-geral da Catawiki em Portugal.
“Cada objeto é único e são as suas características que determinam a sua avaliação e o potencial de investimento que têm”. É o caso de um Mini vermelho de 1959 (o primeiro ano em que o modelo foi comercializado) de um investidor português, que a Catawiki vai leiloar e que espera que atinja entre os 18.700 e os 24.400 euros.

“A nossa experiência nesta área tem mostrado ao longo do tempo que o investimento em carros clássicos é dos mais lucrativos, mas a verdade é que existem livros e vinhos que podem valer tanto como um carro. São as suas caraterísticas e singularidade que vão determinar, acima de tudo, o potencial do investimento”, acrescentou.

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