Os “ses” em Itália provocados pelo “não” a Renzi

Não implica a saída da Itália do euro, não é um abalo para o seu sistema financeiro nem representa uma realidade que os transalpinos não conheçam: o cenário de crise política. No entanto, o triunfo do “não” no referendo traz consigo muitas incertezas.

Desde 1946, a Itália mudou de primeiro-ministro a cada vinte meses, em média. A demissão de Matteo Renzi não é algo a que os italianos não estejam habituados, pelo que este cenário de crise política com que a “bota” da Europa acordou não implica nada de necessariamente grave para este sistema político. De resto, a demissão de Matteo Renzi após o “não” dos italianos à reforma constitucional será o quadragésimo segunda mudança de chefe de Governo em Itália desde 1946.

“Num país que elegeu quatro vezes Silvio Berlusconi e sobreviveu à mudança de peças no Governo esta situação não deve gerar especial preocupação”, escreve o jornal online Expansiòn, sendo que este jornal esclarece no entanto aquilo que deve gerar preocupação em Itália e na Europa: “O que confere motivos para preocupação passa sobretudo pela debilidade dos bancos italianos e pelo crescimento do Movimento 5 Estrelas”. Para o Expansiòn, “o partido político populista e eurocéptico que encabeçou a oposição a Renzi no referendo já prepara um outro referendo, desta vez sobre o permanência no euro”.

As primeiras movimentações, recorda o Expansiòn, pertencem a Sergio Matterella, presidente da República, que terá de nomear um novo primeiro-ministro. “A menos que enlouqueça, Matterella nomeará um político com experiência que terá mandato para reformar a lei eleitoral e convocar eleições no próximo ano. Entre os favoritos, Pier Carlo Padoan, ministro das Finanças, ou Piero Grasso, presidente do Senado”.

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