Oxfam defende mais impostos sobre os multimilionários e bilionários

Elon Musk é o exemplo sobre como as taxas de imposto deveriam ser mais elevadas. Um dos homens mais ricos do mundo pagou uma taxa de 3% entre 2014 e 2018, enquanto um vendedor de farinha no Uganda tem de pagar uma taxa de 40% sobre os 74 euros que ganha por mês.

A organização humanitária Oxfam divulgou esta segunda-feira o relatório “Sobrevivência dos mais ricos”, no qual revela que 63% de toda a nova riqueza criada desde 2020 – 42 biliões de dólares (39 biliões de euros) -, beneficiou apenas 1% da população mundial.

Perante os dados deste relatório, a organização defende um aumento dos importo sobre os multimilionários de forma a combater a desigualdade, a pobreza e as alterações climáticas. Um dos exemplos dados no relatório é o caso do Elon Musk, fundador da Tesla e um dos homens mais ricos do mundo, que pagou uma taxa de imposto entre 2014 e 2018 de 3%, enquanto um vendedor de farinha no Uganda, que ganha 80 dólares (74 euros) por mês, paga uma taxa de imposto de 40%.

Numa altura em que vivemos uma subida da inflação e em que o custo de vida aumentou, o relatório conclui que os multimilionários aumentaram a sua riqueza em 2.700 milhões de dólares (2.500 milhões de euros) por dia.

A organização sugere um aumento permanente dos impostos sobre os mais ricos, para pelo menos 60% dos rendimentos de trabalho e capital, com taxas mais altas para os magnatas. Uma análise feita para a Oxfam pelo Institute for Policy Studies e o The Patriotic Millionaires conclui que se os bilionários e multimilionários em todo o mundo tivessem um imposto anual sobre a sua riqueza de 5%, seria possível angariar 1,7 biliões de dólares (1,57 biliões de euros) por ano. Esta receita era suficiente para tirar dois biliões de pessoas da pobreza, acabar com a fome e ajudar os países mais pobres afetados pelas alterações climáticas.

Esta semana iniciou-se o Fórum Económico Mundial de Davos que tem o tema “Cooperação num mundo fragmentado”, sendo que a divulgação deste relatório pretende ter algum impacto nas figuras do meio empresarial, político e da diplomacia que marcam presença neste fórum.

 

 

Relacionadas

Lucros de milionários podem resolver crise da fome na África Oriental, defende Oxfam

A organização não-governamental refere que a crise alimentar nos países da África oriental – onde milhões de pessoas enfrentam uma “alarmante” situação de fome – aumentou consideravelmente em regiões como a Etiópia. 
Recomendadas

Descida da inflação permite corte de 2,5% em Angola

A consultora Oxford Economics Africa considerou este sábado que a descida da inflação para 12,2% durante este ano dará espaço ao banco central de Angola para descer a taxa de juro para 250 pontos base.

FMI propõe à Guiné-Bissau isenções fiscais apenas para projetos de desenvolvimento e ajuda humanitária

O Fundo Monetário Internacional (FMI) propôs ao Governo da Guiné-Bissau a revogação das isenções fiscais e que aquelas apenas sejam atribuídas a projetos de desenvolvimento ou de ajuda humanitária, anunciou este sábado o Ministério das Finanças guineense.

Resgate de PPR para crédito à habitação sem limite de valor e de data de subscrição

O resgate antecipado de PPR para pagamento de empréstimo da casa pode ser feito, sem penalização, ao longo de 2023 independentemente do valor a levantar e da data da subscrição, segundo o Ministério das Finanças.
Comentários