Padaria Portuguesa transforma óleo alimentar em biocombustível

Produto é encaminhado para produzir o Eco Diesel B15, que permite reduzir até 18% as emissões de gases de efeito estufa.

Fundada em 2010, A Padaria Portuguesa tem procurado canalizar os excedentes alimentares das suas 59 lojas para associações e instituições de solidariedade social, de maneira a evitar o desperdício. Mas esta não é a única medida que a empresa tem em marcha para contribuir para a sustentabilidade do planeta, disse ao Jornal Económico (JE) a diretora de marketing da empresa, Rita Neto.

De forma a dar continuidade e a reforçar esta política, a empresa tem atualmente uma estratégia de economia circular, com diversos projetos. Um deles é a reutilização do óleo alimentar que utiliza nas cozinhas das suas lojas.

“Desde o início do ano que encaminhamos estes óleos para a produção de um biocombustível avançado – Eco Diesel B15 -, o qual permite uma redução de até 18% das emissões de gases de efeito de estufa e uma redução de consumo que pode chegar aos 5%, dada a respetiva eficiência de combustão. Este Eco Diesel B15 é o que abastece a nossa frota de 15 carrinhas que faz a distribuição de mercadorias em toda a rede d’A Padaria Portuguesa”, explica Rita Neto.

Para combater o desperdício alimentar que se gera diariamente, A Padaria Portuguesa entrega cerca de 150kgs de borras de café orgânico por dia à Nãm Mushroom para a produção de cogumelos, que depois são usados como ingrediente base de sandes e saladas, sendo que também parte destas borras são usadas como fertilizante de solo para a produção de fruta biológica que os clientes encontram nos copos de fruta.

Por sua vez, as cascas das cinco toneladas que são consumidas diariamente são canalizadas para a produção de uma compota de laranja feita na fábrica em Marvila. O mais recente projeto da empresa é utilizar farinha de maça proveniente do desperdício dos sumos naturais que servidos nas lojas, para criar uma tarte e areias de maçã.

“Com 59 lojas e mais de 25 mil clientes que recebemos diariamente, o impacto de cada produto lançado e de todos os recursos aproveitados acaba por ter uma escala considerável”, explica a responsável, acrescentando que a estratégia para o próximo ano já está delineada.

“Para 2023 vamos dar continuidade a este posicionamento e manteremos o nosso foco em projetos de economia circular, otimizando os projetos que já implementámos e procurando novas soluções. Todas estas iniciativas são apenas os primeiros passos na economia circular – estamos cientes que a possibilidade de utilização destes nossos recursos é quase ilimitada e que com os parceiros certos e com criatividade continuaremos a desempenhar o nosso papel nos ciclos da economia circular”, salienta Rita Neto.

Apesar de se mostrar entusiasmada pela forma como o tema da sustentabilidade alimentar tem vindo a ser tratado com cada vez mais relevância em Portugal, a responsável pela área de marketing d’A Padaria Portuguesa, considera que este “caminho ainda é longo e muito pode ser feito, mas vermos cada vez mais esta preocupação como tema central de muitas empresas faz-nos acreditar que caminhamos no sentido certo”.

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