Pagar pelos resultados em saúde, mito ou realidade?

Os sistemas de saúde por todo o mundo são desafiados a equilibrar a procura por cuidados cada vez mais inovadores e sofisticados, face aos recursos disponíveis

Os sistemas de saúde por todo o mundo são desafiados a equilibrar a procura por cuidados cada vez mais inovadores e sofisticados, face aos recursos disponíveis. A entrega de inovação em Portugal tem sido acompanhada por uma crescente pressão na despesa, tendo os gastos em saúde vindo a crescer a um ritmo mais acelerado que o PIB. Contudo, será que este investimento se traduz em melhores resultados?

Tradicionalmente, as tecnologias em saúde, sob a forma de medicamentos ou dispositivos médicos, têm vindo a ser pagas em reflexo do volume adquirido e não com base no valor que efetivamente aportam ao doente e ao sistema. Este método de contratação tem vindo a ser criticado por privilegiar a quantidade em detrimento da qualidade.

O paradigma de Value Based Healthcare (VBH) pretende implementar modelos de avaliação para premiar as tecnologias que demonstram melhores resultados em saúde, contribuindo para uma maior sustentabilidade financeira do sistema de saúde, bem como para a promoção de um sistema centrado nas necessidades do doente, na sua própria eficiência e no benefício entregue à sociedade.

Apesar do entusiasmo reconhecido pelos intervenientes do ecossistema da saúde neste conceito, o mesmo continua a ser um tema essencialmente circunscrito ao debate e pouco posto em prática em Portugal.

Vários receios têm vindo a adiar a adoção de contratos com base em resultados: “este modelo é demasiado arriscado e imprevisível”; “é demasiado difícil negociar neste modelo de contratação, não conseguimos concordar nos resultados a medir”; “a medição de resultados em saúde é demasiado complexa”, “os dados necessários à monitorização não estão disponíveis ou não são passíveis de capturar”.

Contudo, estas barreiras têm vindo a ser ultrapassadas em diversos países, com sucesso. A existência de um intermediário isento e de plataformas digitais seguras, geridas por esse mesmo intermediário, com recurso a tecnologia de ponta, no que concerne a partilha anonimizada dos dados, parecem ser os elementos comuns a alguns destes sucessos.

Estas plataformas digitais asseguram a transparência na negociação do contrato, monitorização em tempo real dos resultados em saúde dos doentes e minimização da carga administrativa através da captura automatizada de dados.

A definição de um caminho futuro não será concretizada sem incorrer em alguns riscos, mas é possível partilhar esse risco e entregar melhores cuidados de saúde fazendo uso das capacidades digitais já disponíveis no mercado.

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