PAIGC começa na sexta-feira o X Congresso depois de vários impedimentos judiciais

O Conselho de Jurisdição e Fiscalização do PAIGC aceitou seis candidaturas à liderança do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) começa na sexta-feira o seu X Congresso, depois de vários impedimentos judiciais, que até incluíram intervenção policial, com seis candidatos a disputarem a liderança do partido.

A partir de sexta-feira, o partido conta juntar quase 1.500 delegados em Gardete, nos arredores de Bissau, num congresso dedicado ao tema “Consolidação da Coesão Interna, a luz do pensamento de Amílcar Cabral, pelo resgate do poder popular e promoção do desenvolvimento”.

“Estou convencido que vamos arrancar na sexta-feira, porque, neste momento, não creio que haja algum impedimento legal ou judicial para a realização do X congresso. Neste momento, não temos impedimento nenhum”, afirmou Manuel do Santos, da comissão organizadora do congresso.

Questionado sobre se espera que o congresso decorra com toda a normalidade, tendo também em conta o que se passou no último, realizado em 2018, Manuel dos Santos considerou que esse “não foi assim tão difícil”.

Em 2018, as forças de segurança impediram o início do congresso do PAIGC, cercando a sede do partido, com base em providências cautelares que teriam sido intentadas por militantes descontentes com o procedimento de escolha dos delegados.

O congresso acabou por ter início numa unidade hoteleira e depois prosseguiu na sede do partido com o levantamento das restrições.

“Este é que está a ser difícil”, afirmou, sublinhando estar otimista, porque disse esperar que as “autoridades não ultrapassem demasiado as suas competências”.

“O congresso vai realizar-se normalmente, as pessoas vão ter o direito de se exprimir livremente e quem ganhar, ganhou”, concluiu.

O PAIGC deveria ter realizado o seu congresso em fevereiro, mas foi adiado devido às restrições sanitárias impostas pelo Governo para combater a pandemia da covid-19.

O partido adiou o congresso para decorrer entre 10 e 13 de março, mas não foi novamente realizado devido a uma providência cautelar imposta por um militante no tribunal.

O PAIGC acabou por remarcar a abertura do congresso para 19 de março, mas um dia antes do seu início as forças de segurança invadiram a sede do partido, disparando gás lacrimogéneo, enquanto decorria uma reunião do Comité Central, alegando o cumprimento de ordem judicial que mandava suspender a realização do congresso.

O partido remarcou o congresso para ter início em 19 de agosto, mas foi mais uma vez impedido de o realizar, com as forças de segurança a impedir a entrada de pessoas na sede do PAIGC, situada no centro de Bissau, por decisão judicial.

Segundo Manuel dos Santos, o conselho nacional de jurisdição e fiscalização do partido, órgão competente para aferir a elegibilidade dos candidatos, segundo os estatutos do partido, deu o “ok” a todos os que se apresentaram.

Os candidatos são o atual líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, Edson Araújo, João Bernardo Vieira, Otávio Augusto Lopes, Martilene dos Santos e Raimundo Pereira.

“O Conselho Nacional de Jurisdição e Fiscalização delibera, considerando que todos os camaradas acima indicados reúnem, à luz dos estatutos do PAIGC, condições de elegibilidade ao cargo de presidente do PAIGC, podendo apresentar-se nas eleições a esse cargo no X congresso ordinário”, pode ler-se no acórdão.

O novo presidente do PAIGC será eleito no X congresso, que vai decorrer entre sexta-feira e domingo, depois de ter sido adiado por diversas vezes devido a impedimentos judiciais.

A partir de sexta-feira, o partido espera juntar quase 1.500 delegados em Gardete, nos arredores de Bissau, num congresso dedicado ao tema “Consolidação da Coesão Interna, a luz do pensamento de Amílcar Cabral, pelo resgate do poder popular e promoção do desenvolvimento”.

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