Pais com “maior dificuldade” em pagar as despesas escolares dos filhos, alerta Deco (com áudio)

Estudo da Deco Proteste revela que os pais estão com maior dificuldade em pagar as despesas escolares dos filhos este ano. Mais de metade dos agregados familiares afirmam estar com mais dificuldades em fazer face aos custos com a escola dos filhos. E 42% conseguem pagar a maioria das despesas, mas não todas. Já quase três em cada dez confessam ser impossível enfrentar alguns gastos.

FERNANDO VELUDO/LUSA

A Deco Proteste revela nesta terça-feira, 27 de setembro, que os pais estão com maior dificuldade em pagar as despesas escolares dos filhos este ano, dando conta de que quase três em cada dez confessam mesmo ser “impossível” enfrentar alguns gastos. As conclusões constam de um estudo desta organização de defesa do consumidor:

“Comparando com o ano letivo anterior, 54% dos agregados familiares afirmam estar com mais dificuldades em fazer face aos custos com a escola dos filhos. Menos de metade (42%) conseguem pagar a maioria das despesas, mas não todas. E quase três em cada dez confessam ser impossível enfrentar alguns gastos”, avança a Deco Proteste.

Os resultados de um inquérito conduzido por esta entidade mostram, assim, que em mais de metade dos agregados familiares em Portugal (54%) vai ser mais difícil enfrentar os custos com a educação dos filhos este ano, comparativamente ao ano letivo passado quando confrontados com a questão: “Comparativamente ao ano letivo anterior, está a sentir maior ou menor dificuldade em pagar as despesas escolares dos seus filhos?”.

Para 42% dos pais, segundo as conclusões do estudo, a maioria das despesas estão asseguradas. Mas, diz a Deco Proteste, “27% admitem que não vão conseguir fazer frente a alguns gastos. Só 24% dizem conseguir pagar todos os custos relacionados com a escola dos filhos. Em 7% das famílias será impossível pagar qualquer despesa ou a maioria das despesas”

A organização de defesa do consumidor explica que o inquérito, que teve por objetivo avaliar as despesas das famílias com a escola, as dificuldades financeiras dos pais para as enfrentar, e também o efeito da pandemia nas aprendizagens e suas consequências na passagem do ano letivo anterior para o de 2022/2023. O estudo foi conduzido via online, entre 8 e 14 de setembro, a uma amostra representativa da população adulta portuguesa com filhos, até um máximo de três, a frequentar a escola do primeiro ao 12.º anos, tendo a Deco Proteste recebido 1.247 respostas válidas.

Segundo esta entidade, as despesas com um filho na escola pública rondam os 370 euros por ano em média. “Sobre quanto previam gastar em despesas escolares durante este ano letivo, os agregados com apenas um filho, que frequentasse do primeiro ao 12.º ano numa escola pública, conclui-se que o valor atinge, em média, os 371,11 euros”, avança.

Já os que têm despesas com serviço de cantina e de refeições pagam em média 143,39 euros, sendo esta a parcela “mais dura” da conta com os custos escolares.

O segundo maior gasto, prossegue, é com as atividades extracurriculares (desporto, música, etc.), que custam aos inquiridos que têm este gasto 89,15 euros, em média. Por sua vez, a despesa com livros e manuais escolares – que são gratuitos do primeiro ao 12.º ano – surge em terceiro lugar entre o que mais pesa na fatura com a escola, atingindo, em média, 81,25 euros, entre os que se deparam com este encargo, adianta.

A Deco Proteste sinaliza ainda que o material escolar para um filho no ensino público custa, em média, 50 euros: “os inquiridos com um filho a estudar do primeiro ao 12.º ano numa escola pública responderam que, em média, antecipavam desembolsar quase 50 euros em material escolar para este ano letivo”.

No estudo, por nível de ensino, e considerando os inquiridos com um filho a estudar do primeiro ao 12.º ano em escolas públicas e privadas (com e sem financiamento do Estado), conclui-se ainda que o valor médio que os agregados com despesas com material escolar contam gastar “vai subindo à medida que a escolaridade básica avança – 46,23 euros no primeiro ciclo, 52,53 euros no segundo ciclo, e 58,34 euros, no terceiro –, diminuindo apenas no ensino secundário (49,83 euros, em média)”.

“A grande maioria dos pais, 81%, elege como critério para comprar o material escolar do dia-a-dia (cadernos, folhas, lápis, canetas, régua, etc.) um nível intermédio entre a qualidade e o preço”, realça.

Para a Deco Proteste, “fazendo zoom à capacidade financeira dos agregados, as conclusões não surpreendem”. Conclui aqui que “os inquiridos que não conseguem pagar qualquer ou a maioria das despesas escolares dos filhos tendem a optar pelo material mais barato, independentemente da qualidade. Os restantes inquiridos procuram todos um nível intermédio entre a qualidade e o preço”.

Satisfação com a escola durante a pandemia “é elevada”

Já quando questionada sobre a satisfação com o funcionamento geral com a escola dos filhos que foram alunos do segundo ano, do primeiro ciclo, ao 12.º ano, no último ano letivo, considerando o contexto pandémico, “a esmagadora maioria dos inquiridos (90%) respondeu que o grau de satisfação era médio e elevado”.

A Deco Proteste dá aqui conta de que dos vários pontos a que os pais tiveram de atribuir um nível de satisfação, “a informação prestada aos encarregados de educação sobe a situação pandémica na escola foi o aspeto que se destacou, com um nível de satisfação média de 43% e alta de 45 por cento”. O que mereceu as maiores críticas, prossegue, com níveis de satisfação média e alta a rondar os 40%, foi a questão do funcionamento do ensino à distância.

“Oito em cada dez inquiridos consideram que os filhos estão algo ou bem preparados para enfrentarem o novo ano letivo, apesar de uma mesma percentagem referir que a pandemia teve algum ou grande impacto negativo na aprendizagem e preparação académica no ano letivo passado”, conclui.

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