“O seu país é corrupto e antidemocrático?”: Empresa alemã limita venda de armamento

Uma medida que exclui de negociações países como Arábia Saudita, México, Brasil, Índia e até mesmo a Turquia.

A empresa alemã de armamento Heckler&Koch vai deixar de fornecer armas a países corruptos, antidemocráticos ou não afiliados de alguma forma à NATO, segundo reporta hoje o jornal alemão Die Welt.

A empresa que produz armas de mão, rifles militares e metralhadoras, adotou esta política no seguimento das grandes dificuldades com que se deparavam na obtenção de licenças de exportação do governo de Merkel quando estão em causa esses países.

Uma medida que exclui de negociações países como Arábia Saudita, México, Brasil, Índia e até mesmo a Turquia.

“Nós só queremos fornecer países estáveis, isto é, aqueles que são inquestionavelmente democráticos, claramente não corruptos e na NATO ou perto da NATO”, disse o gerente anónimo segundo o The Independent.

A empresa processou o governo alemão no ano passado por uma disputa sobre a exportação de peças de armas para a Arábia Saudita, afirmando que havia esperado mais de dois anos para aprovação.

A Alemanha aprovou em 2008 um acordo controverso, mas lucrativo, que autorizava a Heckler & Koch a vender peças para que certo tipo de armamento pudesse ser fabricado na Arábia Saudita, no entanto alterou o acordo em 2013, após crítica dos meios de comunicação sobre as empresas de armamento “alimentarem as tensões no Oriente Médio”.

A Alemanha é o quinto maior exportador mundial de armas e a Heckler & Koch é a empresa que se diz ter produzido o rifle de assalto usado pelo exército dos EUA para matar Osama Bin Laden.

A empresa, sediada em Oberndorf, no sudoeste da Alemanha, sofreu críticas no ano passado quando foi acusada de exportar ilegalmente rifles de assalto para o México, informou a Deutsche Welle, tendo ainda um relatório do Departamento de Alfândega Criminal de Colónia acusado a empresa de entregar cerca de 4.800 armas a estados onde as exportações são proibidas.

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