Países do sul do Mediterrâneo dizem que cooperação com Europa nunca foi tão necessária

Os países do sul do Mediterrâneo defenderam hoje que a cooperação com a União Europeia nunca foi tão necessária como agora, perante a multiplicação de crises com impacto na região, e pediram uma resposta conjunta para as migrações irregulares.

8 – Grécia

A União Europeia (UE), os seus 27 estados-membros e mais 16 países mediterrânicos estiveram hoje reunidos em Barcelona, no 7.ª Fórum Regional da União para o Mediterrâneo (UpM).

A UpM é uma organização intergovernamental que junta os países da UE e mais 16 países mediterrânicos europeus, do Norte de África e do Médio Oriente.

Foi criada em 2008 e é herdeira da Conferência Euro-mediterrânica, fundada em 2015, conhecida como “processo de Barcelona”, tendo como objetivo fomentar a cooperação na região euro-mediterrânica.

“Nunca precisámos tanto da União para o Mediterrâneo como agora, com tantas crises”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) da Jordânia, Ayman Safadi, na conferência de imprensa final do 7.º Fórum Regional da União para o Mediterrâneo, que copreside com o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell.

Ayman Safadi sublinhou que “o processo de Barcelona nasceu como uma promessa de integração” na região euro-mediterrânica e, passadas quase três décadas, esta zona do planeta “continua a sofrer tremendas crises”.

Sobre “o lado sul”, o ministro jordano disse haver “desespero e frustração”, com falta de oportunidades para a população jovem, assim como instabilidade e violência, e defendeu cooperação com a Europa para criar “empregos e esperança”.

Neste contexto, destacou ser necessária uma resposta “coletiva” para as crises migratórias e de refugiados.

“A verdade é que os refugiados não cruzariam para a Europa se tivessem uma vida digna no sul do Mediterrâneo”, afirmou, insistindo em que a resposta à imigração irregular e descontrolada não é o fecho de fronteiras.

Ayman Safadi pediu ainda mais cooperação com os países da Europa em áreas como as alterações climáticas, a gestão sustentável da água ou a segurança alimentar e energética.

Na mesma conferência de imprensa, Josep Borrell reiterou o que havia dito na abertura dos trabalhos do Fórum Regional da UpM, quando afirmou que é preciso “fazer mais” para aproximar as duas margens do Mediterrâneo, uma das fronteiras “mais desiguais” em todo o mundo e cujas diferenças têm aumentado.

Sobre a “imigração irregular”, concordou em que é preciso impulsionar o desenvolvimento nos países de origem, para dar oportunidades de trabalho e bem-estar aos mais jovens.

“Enquanto isso não acontece” é preciso “regular os fluxos de pessoas”, tentando ajustá-los às necessidades do mercado de trabalho dos países europeus, porque quando não são regulados e se mantêm descontrolados, “provocam mortes e inquietude” nos dois lados do Mediterrâneo, acrescentou.

Neste 7.º Fórum Regional da UpM, os ministros dos Negócios Estrangeiros e outros chefes das mais de 40 delegações presentes “concordaram com a necessidade de intensificar ainda mais a cooperação e a integração regional para fazer frente às elevadas taxas de desemprego, à emergência climática e ao crescimento desequilibrado numa região fragmentada, que também foi atingida pela pandemia e pela guerra na Ucrânia”, segundo um comunicado da organização.

No início do encontro, foi ratificada por unanimidade a entrada da Macedónia do Norte na UfM, que passou assim a integrar 43 países.

Foi ainda aprovado o lançamento da iniciativa “Capitais Mediterrâneas da Cultura”, que todos os anos contemplará duas cidades, uma no lado norte e outra no lado sul do Mediterrâneo.

Neste encontro foi também anunciado o projeto do cabo de fibra ótica submarino Medusa, que ligará Barcelona ao Egito, que irá receber 140 milhões de euros de financiamento europeu, 40 de subvenção da Comissão Europeia e o restante de empréstimo do Banco Europeu de Investimento (BEI).

Está previsto que o primeiro troço desta infraestrutura comece a funcionar em 2024, unindo Lisboa com Barcelona e Marselha.

Recomendadas

Conselho de Ministros moçambicano aprova criação de fundo soberano

O Conselho de Ministros moçambicano aprovou hoje a criação do fundo soberano do país, cuja capitalização deverá arrancar com as receitas deste ano da plataforma Coral Sul, que começou a exportar gás do Rovuma há duas semanas.

Ucrânia: Alemanha garante apoio ao sector energético e entrega “mais de 350 geradores”

A Alemanha vai fornecer “mais de 350 geradores” à Ucrânia, afetada pelos ataques russos contra as suas infraestruturas de energia nas últimas semanas, divulgou hoje o porta-voz do Governo alemão.

Venezuela prepara acordos com petrolífera Chevron após alívio de sanções

A Venezuela anunciou hoje que vai assinar, nas próximas horas, acordos com a petrolífera norte-americana Chevron para impulsionar o desenvolvimento local de empresas mistas (capital público e privado) e a produção de petróleo.
Comentários