Países europeus com diferentes abordagens às restrições durante o Natal e o Ano Novo

Os últimos dias do ano ficam marcados pelos confinamentos nos diferentes países, naquela que se espera ser a reta final até à massificação dos planos de vacinação. A “luz ao fundo do túnel” é visível, mas a despreocupação associada poderá tornar-se um problema para os sistemas de saúde europeus caso as pessoas não cumpram o que lhes é pedido.

Com a época festiva cada vez mais perto, os países europeus preparam-se para as celebrações de natal e ano novo assombradas pela pandemia de Covid-19. Apesar dos perigos associados serem praticamente iguais nos diferentes territórios, as abordagens dos respetivos governos são, de uma forma geral, diferentes. Se por um lado há países dispostos a alargar restrições até aos lares das famílias, outros optam por dar a liberdade aos seus cidadãos apelando ao bom senso e ao sentido de responsabilidade social.

Os últimos dias de 2020 ficarão marcados pelos confinamentos nos diferentes países, naquela que se espera ser a reta final até à massificação dos planos de vacinação. A “luz ao fundo do túnel” é visível, mas a despreocupação associada poderá tornar-se um problema para os sistemas de saúde europeus caso as pessoas não cumpram o que lhes é pedido. Da mesma forma, tudo isto poderá ser encarado como um atentado às liberdades pessoais, mas o momento delicado que vivemos assim o justifica.

Rússia: idosos aconselhados a isolar-se

Na Rússia, as principais celebrações festivas geralmente acontecem na véspera de Ano Novo, com muitas pessoas a realizar festas durante toda a noite. Mas nas últimas duas décadas houve um aumento nas comemorações do Natal, que a maioria cristã ortodoxa do país celebra a 7 de janeiro.

Na capital da Rússia, Moscovo, as autoridades anunciaram novas medidas que vão durar até 15 de janeiro, que incluem o encerramento antecipado de restaurantes e cafés e uma limitação de capacidade de 25% em cinemas e teatros. Residentes com mais de 65 anos e em grupos de alto risco também devem isolar-se até essa data, segundo as recomendações do governo.

O festival de rua da cidade, que dura um mês, também deve ser cancelado, informaram os media locais. Outras regiões introduziram restrições semelhantes próprias. Isto acontece depois das autoridades de saúde alertarem que a situação continua instável e que a epidemia ainda não atingiu o pico em todo o país. Os casos de vírus aumentaram nas últimas semanas, e uma contagem diária recorde foi registada a 26 de novembro.

A Rússia é o país europeu com mais casos registados desde o inicio da pandemia, um total de 2,9 milhões de pessoas infetadas das quais já resultaram 51,912 mortes, segundo os dados do portal ‘Worldometer’.

França: Restrições de viagens suspensas no Natal

A 15 de dezembro, França suspendeu o confinamento imposto a 28 de novembro, mas as medidas rígidas ainda estão em vigor, visto que o número de novas infeções ainda é alto. As restrições que impediam qualquer viagem fora do local de residência com exceção para quem fosse portador de uma autorização, certificada em papel ou smartphone, foram suspensas.

Em vez disso, será imposto um recolher obrigatório em todo o país das 20h00 às 06h00, que será suspenso na véspera de Natal, mas não na véspera de Ano Novo. Teatros e cinemas permanecerão encerrados, assim como bares e restaurantes.

A decisão de manter encerradas as famosas estâncias de esqui em França foi encarada como uma grande deceção, com os governantes locais a reclamar de meses de trabalho eliminados. Macron disse que poderiam reabrir em janeiro “em condições favoráveis”.

A França já registou, desde o inicio da pandemia, mais de 2,4 milhões de pessoas infetadas das quais já resultaram 60,900 mortes, segundo os dados do portal ‘Worldometer’.

Reino Unido: ‘Bolhas de Natal’ temporárias permitidas

Apesar de ser um dos países a nível mundial com o maior número de infeções registadas, o governo britânico decidiu abrir uma breve janela de restrições especiais para permitir que as pessoas celebrem o Natal. Entre 23 e 27 de dezembro (ou 22 a 28 de dezembro na Irlanda do Norte), não haverá restrições de viagens e as pessoas poderão estar juntas dentro de casa e passar a noite de consoada com as respetivas famílias.

Ainda assim, as chamadas “bolhas de Natal” podem incluir no máximo três famílias, sem um número fixo de pessoas por família, na maior parte do Reino Unido, e até oito pessoas na Escócia. O conceito das “bolhas”, que também será alargado a outros locais de culto e espaços públicos ao ar livre, será fixado durante todo o período festivo. Isso significa que as pessoas não se podem misturar com duas famílias no dia de Natal e duas diferentes no dia seguinte, por exemplo.

No entanto, os especialistas em saúde recomendam que as pessoas pensem cuidadosamente sobre com quem se misturam. No passado dia 16 de dezembro, bares e restaurantes encerraram, exceto para serviços de entrega, e a maioria dos locais de entretenimento internos, bem como estádios desportivos, também vão fechar.

O Reino Unido já registou, desde o inicio da pandemia, 2,1 milhões de pessoas infetadas das quais já resultaram 60,900 mortes, segundo os dados do portal ‘Worldometer’.

Itália: Sem mercados de Natal e toque de recolher em todo o país

Itália registou o maior número de mortes desde o final de março e o primeiro-ministro Giuseppe Conte disse aos italianos para esperar um “Natal mais sóbrio, sem festas, abraços e beijos”. Muitas regiões italianas estão sob bloqueio parcial e foi anunciada a proibição de viagens entre diferentes regiões de 21 de dezembro a 6 de janeiro.

Além das proibições de viagens regionais, as pessoas não poderão deixar as cidades onde vivem no dia de Natal, no dia seguinte e no dia de ano novo. Haverá exceções por motivos de trabalho, médicos ou outras emergências. O recolher obrigatório para os respetivos dias também estará em vigor das 22h00 h às 05h00.

As igrejas poderão permanecer abertas, mas o recolher obrigatório significa que a tradicional missa do galo dificilmente aconteça. O conhecido mercado de Natal italiano, também foi proibido.

“Achamos que precisamos introduzir mais precauções para evitar um aumento nas infeções”, disse Conte.

Itália já contabilizou 1,9 milhões de pessoas infetadas com o Covid-19, das quais resultaram 69,214 mortes, segundo os dados do portal ‘Worldometer’.

Espanha: viagens permitidas e reuniões limitadas

O governo espanhol aprovou um conjunto de medidas para o período entre 23 de dezembro e 6 de janeiro. Os governos regionais, no entanto, têm o poder de endurecer essas regras gerais caso considerem necessário.

Durante a época festiva, viagens entre regiões serão permitidas, desde que as pessoas estejam a visitar amigos e familiares. As reuniões sociais na véspera de Natal, dia de Natal, véspera de ano novo e dia de ano novo serão limitadas a 10 pessoas. E, ao contrário de muitos países europeus, esse limite inclui crianças.

O atual recolher obrigatório em vigor também será estendido para 01h30 na véspera de Natal e Réveillon. As famílias espanholas tradicionalmente celebram a Festa dos Três Reis com um desfile no dia 5 de janeiro, mas o governo recomendou que as celebrações não ocorram.

A vizinha Espanha, desde o inicio da pandemia, já contabilizou 1,8 milhões pessoas infetadas pelo novo coronavírus das quais resultaram 49,260 vitimas mortais.

Alemanha: bloqueio rígido com lojas fechadas

A Alemanha entrará em confinamento durante o período de Natal, já que o número de mortes e infeções pelo vírus aumentou durante as últimas semanas. Lojas de produtos não essenciais e escolas vão encerrar em todo o país, que vai de 16 de dezembro a 10 de janeiro.

A chanceler Angela Merkel culpou as compras de Natal pelo aumento “considerável” nos contatos sociais. Atualmente, apenas cinco pessoas de no máximo duas famílias podem reunir-se numa casa. Mas esse limite será alterado de 24 a 26 de dezembro, quando uma casa poderá hospedar no máximo quatro parentes próximos de outras casas. Crianças menores de 14 anos não estão incluídas neste limite.

Sob o bloqueio nacional, lojas essenciais, como as que vendem alimentos, permanecerão abertas, assim como os bancos. Os pontos de venda de árvores de Natal também podem continuar abertas.

A maioria dos principais mercados de Natal da Alemanha já foi cancelada. Quanto ao Ano Novo, os fogos de artifício foram cancelados.

A Alemanha contabiliza 1,5 milhões pessoas infetadas pelo novo coronavírus das quais resultaram 27,381 vitimas mortais.

Países Baixos: bloqueio de cinco semanas

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, anunciou ao país um confinamento estrito de cinco semanas, que inicia a 15 de dezembro e termina a 19 de janeiro. Lojas de produtos considerados “não essenciais”, cinemas, cabeleireiros, ginásios e as escolas já encerram esta semana. Os cidadãos foram aconselhados a não viajar ao exterior até meados de março.

As restrições serão ligeiramente atenuadas durante os três dias do Natal, quando as famílias holandesas terão permissão para convidar três pessoas para lá do agregado familiar, sem contar crianças menores de 13 anos.

Rutte afirmou que “Precisamos morder esta maçã azeda antes que as coisas melhorem. E sim, elas vão melhorar. Chegará um momento em que o coronavírus ficará para trás, quando as nossas vidas voltarem ao normal”. No entanto, o primeiro-ministro holandês acrescentou que “não será agora, nem daqui a uma semana, ou um mês. Mas com a vacina, 2021 será de facto um ano de esperança e de luz ao fundo do túnel.”

Os países baixos registam atualmente 700 mil casos confirmados de infeção por Covid-19, dos quais já resultaram 10.519 mortes.

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