PAN considera “incompreensíveis” aumentos salariais na TAP

Inês de Sousa Real revelou ao JE que o partido vai “dar entrada de um requerimento a pedir esclarecimento ao ministro das Infraestruturas e da Habitação para venha esclarecer efetivamente a posição remuneratória, que valores estamos aqui a falar e se estão ou não a ser aplicados os cortes ao conselho de administração que foram avançados pelo senhor ministro”.

A líder parlamentar do partido Pessoas Animais Natureza (PAN), classificou ao Jornal Económico (JE) como “incompreensível” a hipótese de existirem aumentos salariais no Conselho de administração da TAP esta terça-feira, 29 de dezembro.

“Parece-nos manifestamente incompreensível esta possibilidade de aumento nos salários no conselho de administração da TAP, pesa embora o Governo já tenha vindo dizer que mantem aquilo que avançou na audição feita ainda este mês a 15 de dezembro passado relativamente à descida do valor auferido pelo conselho de administração em 33%”, frisou ao JE Inês de Sousa Real recordando que “até foi em reação aquilo que na altura o PAN questionou face ao que podia ser a realidade salarial do conselho de administração aquela data”

Para o PAN, é incompreensível “que isto não tenha sido não só explicado na altura à Assembleia da República, tendo em conta que apesar das declarações de hoje continua a estar aqui em cima da mesa uma suposta decisão de 28 de outubro ou seja anterior à audição”.

Tendo em conta o sucedido, Inês de Sousa Real revelou ao JE que o partido vai “dar entrada de um requerimento a pedir esclarecimento ao ministro das Infraestruturas e da Habitação para venha esclarecer efetivamente a posição remuneratória, que valores estamos aqui a falar e se estão ou não a ser aplicados os cortes ao conselho de administração que foram avançados pelo senhor ministro”.

“Por outro lado, parece-nos fundamental e iremos reiterar essa mesma preocupação ao senhor ministro que não podemos estar a ter um contexto de despedimentos na TAP, de não renovação de contratos”, frisou a líder parlamentar do PAN.

Inês de Sousa Real contou que “tem chegado até nós a informação de muitos contratos de trabalho que estavam a termo certo e que não foram renovados no seguimento desta crise sanitária”.  “Não podemos estar a ter este prejuízo do ponto de vista social e laboral que a empresa está a ter por um lado e por outro manter aquilo que tem sido uma rota de forma despesista por parte do conselho de administração que não tem em consideração aquilo que é o peso que depois a situação real da empresa tem para com os restantes trabalhadores”, completou.

“Tem de existir contrapartidas sociais e laborais a par das contrapartidas ambientais à intervenção do Estado na TAP que estas contrapartidas tinham sempre que existir”, sublinhou a deputada do PAN acrescentando que “a TAP não pode continuar a ser gerida desta forma, não podemos ter salários muito acima daquilo que é a média inclusive europeia no Conselho de Administração e depois não haver qualquer tipo de medidas para mitigar aqueles que possam ser os despedimentos na empresa”.

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